Base do governo barra convocações e tensiona trabalhos da CPMI do INSS no Congresso

Instituto Lula

A base do governo federal barrou, nesta semana, uma série de convocações estratégicas na CPMI do INSS, comissão que investiga um suposto esquema de fraudes em benefícios previdenciários e descontos indevidos em aposentadorias e pensões. As manobras geraram forte reação da oposição e ampliaram o clima de tensão dentro do Congresso.

Durante a sessão, os parlamentares governistas votaram contra os pedidos de convocação de ex-servidores, empresários e lideranças sindicais citados em relatórios da Polícia Federal. Entre os nomes rejeitados estão Edson Claro Medeiros Júnior, apontado como figura central nas investigações sobre o grupo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Gustavo Marques Gaspar, empresário ligado a movimentações financeiras suspeitas.

Outro nome que a oposição tenta ouvir é o de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e ligado ao Sindnapi — sindicato envolvido nas denúncias sobre cobranças indevidas de aposentados. O requerimento, no entanto, também foi barrado pela base aliada, que alegou “falta de pertinência com o foco da comissão”.

O pedido para ouvir Medeiros Júnior foi rejeitado por 16 votos a 14, resultado que consolidou a articulação do Planalto dentro da CPMI. Deputados e senadores da oposição acusam o governo de promover uma “blindagem política” para proteger aliados e evitar desgaste às vésperas do calendário eleitoral de 2026.

“O governo quer impedir que a verdade venha à tona. Há uma tentativa clara de encobrir o esquema que atingiu milhões de aposentados”, criticou um dos parlamentares da oposição durante a sessão.

A CPMI do INSS foi criada após denúncias de descontos não autorizados em benefícios previdenciários, investigando a atuação de entidades e empresas que operavam créditos consignados e associações de fachada para reter parte dos pagamentos dos segurados.

Mesmo com a resistência da base governista, a oposição promete insistir nas convocações e pedir apoio de outros partidos para retomar os depoimentos nas próximas reuniões da comissão.

Compartilhe :

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *