A filha mais velha da mulher assassinada a facadas pelo marido, em Lucas do Rio Verde (MT), se manifestou publicamente contra o laudo psiquiátrico que aponta insanidade mental do engenheiro acusado de matar a esposa e esfaquear a própria filha de 7 anos. Em uma série de declarações nas redes sociais, ela demonstrou indignação com a possibilidade de o réu não responder criminalmente pelo feminicídio.
O crime aconteceu enquanto a vítima dormia, no dia 24 de junho de 2025. O engenheiro desferiu diversos golpes de faca na esposa, Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, e em seguida atacou a filha do casal. A criança sobreviveu após passar 22 dias internada na UTI. Desde então, vive sob os cuidados da irmã mais velha, que agora se tornou sua responsável legal.
“Maldade, crueldade, egoísmo. Não são doenças. São escolhas.”
Em seu relato, a filha contesta duramente a tese defensiva de surto psicótico:
“Como alguém ‘incapaz de compreender o que estava fazendo’ abraça a filha pedindo desculpas por ter matado a mãe dela?”
“Como alguém em surto manda mensagem para o irmão contando o que fez? Silêncio em depoimento não é surto. É autodefesa.”
Ela acusa o pai de sempre ter sido controlador, agressivo e emocionalmente manipulador. Segundo o depoimento, ele não demonstrava qualquer sinal de incapacidade psiquiátrica antes do crime:
“Quando fazia churrasco, bebia, discutia com minha mãe por qualquer motivo, ele era são. Quando planejava tudo o que ela gastava para depois cobrar, ele era lúcido.”
“Minha irmã dorme com medo. Eu perdi tudo.”
A filha mais velha também relata o impacto devastador que o crime causou na vida da irmã sobrevivente:
- Medo de dormir sozinha
- Uso de medicação controlada
- Cicatrizes físicas e emocionais permanentes
- Medo de acordar e não encontrar a irmã por perto
Ela mesma afirma ter perdido 10 kg, emprego e estabilidade financeira, enquanto assumia o papel de mãe substituta:
“Ganhei uma filha de 7 anos, um cachorro e todas as responsabilidades. A justiça quer discutir insanidade. Eu só quero que minha irmã possa viver sem medo.”
“Quero Justiça. Não aceito que isso seja tratado como doença.”
O laudo médico apresentado à Justiça concluiu que o réu estava em surto psicótico, o que pode resultar na absolvição por inimputabilidade — situação que revolta a família.
“O mínimo que minha mãe merece é que ele pague. O mínimo que minha irmã merece é crescer sabendo que houve Justiça. Isso não acabou.”
A jovem afirma que lutará até o fim para que o caso vá ao júri popular e que o delito seja reconhecido como feminicídio.
Revolta nas redes
As postagens rapidamente repercutiram, com centenas de mensagens de apoio. Muitos internautas questionam, assim como ela, o uso de laudos psiquiátricos em crimes de violência doméstica.
“Estava com depressão, tomou remédio, teve surto, aplicou ozempic… às vezes parece piada de mau gosto.”, escreveu.
Próximos passos
O Ministério Público deve se manifestar em breve sobre o laudo. A decisão final caberá ao juiz do caso, que poderá:
- Determinar o julgamento no Tribunal do Júri
- Ou absolver o réu por doença mental e determinar internação psiquiátrica
A filha, entretanto, afirma:
“Minha mãe virou estatística. Minha irmã virou paciente. Mas eu não vou deixar que o assassino vire vítima.”





