Em Mato Grosso, os empregados dos Correios decidiram não aceitar a proposta de reajuste salarial apresentada pela direção da estatal e optaram por manter a paralisação das atividades por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleia realizada na terça-feira (23 de dezembro), na qual a categoria rejeitou a oferta de acordo por unanimidade.
Apesar da continuidade da greve, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que os Correios sigam funcionando com pelo menos 80% do efetivo de trabalho, como forma de garantir o atendimento dos serviços essenciais, ainda que parcialmente.
O movimento grevista começou em 17 de dezembro, após a empresa não apresentar uma proposta de reajuste com base na inflação, conforme reivindicado pela categoria.
Durante audiência de conciliação no TST, os Correios formalizaram uma oferta que incluía:
- Reajuste salarial de 5,13%, com vigência a partir de janeiro de 2026, mas com pagamento previsto apenas em abril, com valores retroativos aos meses de janeiro, fevereiro e março.
- Renovação de 79 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), com exclusão das cláusulas relativas ao chamado “ticket extra”.
- Reposição integral da inflação de agosto de 2025 a julho de 2026, que só passaria a ser incorporada aos salários em 1º de agosto de 2026.
- Vigência do novo acordo por dois anos, com manutenção do atual regime de ponto por exceção e das regras de trabalho em dias de repouso semanal até 31 de julho de 2026; após essa data, passaria a valer o que a legislação trabalhista prevê.
Mesmo com esses termos, os trabalhadores consideraram a proposta insuficiente e rejeitaram-na por unanimidade.
Em nota divulgada após a assembleia, o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios de Mato Grosso (Sintect-MT) informou que a categoria optou por continuar em greve diante da falta de avanços que realmente atendessem às reivindicações dos trabalhadores.
A paralisação faz parte de um movimento mais amplo que tem mobilizado categorias dos Correios em vários estados brasileiros, onde sindicatos também apontam insuficiência nas propostas de reajuste e nos termos do acordo coletivo.
Mesmo com os funcionários em greve, as agências dos Correios continuaram operando em Mato Grosso e em outras unidades do país, obedecendo ao percentual mínimo de trabalhadores exigido pelo Tribunal Superior do Trabalho.
Essa determinação busca assegurar a prestação dos serviços postais, especialmente em um período crítico como o de fim de ano, quando há aumento significativo de encomendas e correspondências.





