Os eventos climáticos registrados ao longo de 2025 escancararam a fragilidade da infraestrutura urbana em diversas cidades de Mato Grosso, especialmente diante da combinação de chuvas intensas, queimadas de grandes proporções e ondas de calor extremo. Os fenômenos causaram prejuízos materiais, transtornos à população e reacenderam o debate sobre planejamento urbano e adaptação às mudanças climáticas.
Em municípios como Cuiabá e Várzea Grande, os temporais do período chuvoso provocaram alagamentos recorrentes, erosões e danos a vias públicas, afetando bairros inteiros e expondo deficiências históricas nos sistemas de drenagem. Em vários pontos, a água invadiu residências e comércios, forçando moradores a deixar suas casas temporariamente.
Durante os meses mais chuvosos do ano, a intensidade das precipitações superou a capacidade de escoamento das cidades. Ruas sem drenagem adequada, bocas de lobo obstruídas e ocupações em áreas de risco ampliaram os impactos dos temporais, resultando em trânsito interrompido, prejuízos econômicos e risco à segurança da população.
Especialistas apontam que a impermeabilização excessiva do solo urbano, aliada à falta de manutenção preventiva, contribuiu para o agravamento das ocorrências.
No período de estiagem, as queimadas urbanas e rurais intensificaram-se, lançando uma densa camada de fumaça sobre cidades da região metropolitana e do interior. A qualidade do ar caiu drasticamente, provocando aumento de atendimentos médicos por problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Além dos impactos à saúde, o fogo também comprometeu áreas verdes, redes elétricas e estruturas próximas a bairros residenciais, exigindo atuação constante do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.
As ondas de calor registradas em 2025 elevaram as temperaturas a níveis recordes, intensificando o desconforto térmico e pressionando serviços essenciais. O consumo de energia elétrica aumentou, assim como os relatos de falhas no abastecimento de água em algumas localidades.
A ausência de áreas verdes suficientes, aliada ao fenômeno das ilhas de calor urbano, contribuiu para a sensação térmica elevada, principalmente em regiões mais adensadas.
Os acontecimentos de 2025 reforçaram a necessidade de políticas públicas integradas, com investimentos em drenagem, manejo ambiental, prevenção de queimadas e planejamento urbano sustentável. Especialistas alertam que eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes, exigindo respostas estruturais e não apenas medidas emergenciais.
A retrospectiva do ano deixa claro que a adaptação das cidades aos novos desafios climáticos é urgente para reduzir danos, proteger vidas e garantir melhor qualidade de vida à população.





