Em 2025, os deputados federais da bancada de Mato Grosso utilizaram, ao menos, R$ 20,1 milhões em recursos públicos para custear atividades do mandato, segundo levantamento com base nos dados oficiais disponíveis no Portal da Transparência da Câmara dos Deputados.
O montante inclui despesas com a cota parlamentar e a verba de gabinete, rubricas destinadas à manutenção das funções legislativas, como contratação de equipe, passagens, divulgação de atividades, locação de veículos e manutenção de escritórios políticos.
O ranking dos parlamentares que mais gastaram recursos públicos neste ano é liderado por representantes do Partido Liberal (PL):
- Nelson Barbudo (PL) foi o deputado que mais utilizou recursos, com R$ 1,86 milhão, somando cota parlamentar e verba de gabinete, conforme os registros atualizados no portal.
- José Medeiros (PL) aparece logo atrás, com R$ 1,82 milhão em despesas.
Ambos os parlamentares mobilizaram parte significativa dos recursos disponíveis para atividades inerentes ao mandato, destacando-se nas categorias mais cobradas pelos gabinetes.
Outros deputados também apresentaram altos níveis de utilização de verba pública:
- Coronel Fernanda (PL) registrou movimentação de R$ 1,88 milhão;
- Juarez Costa (MDB) aproximou-se de R$ 1,83 milhão;
- Gisela Simona (União Brasil) teve despesas da ordem de R$ 1,56 milhão;
- Coronel Assis (União Brasil) também registrou situação próxima ao grupo dos mais gastadores.
Em contraste, o deputado Fábio Garcia (União Brasil), que ficou licenciado por grande parte do ano, teve uso residual da cota parlamentar, com apenas R$ 3,9 mil lançados no sistema.
O levantamento também identificou lacunas nas informações públicas disponíveis. No caso de Emanuel Pinheiro Neto (MDB), conhecido como Emanuelzinho, foi possível verificar apenas a utilização da cota parlamentar, totalizando R$ 462 mil, pois os valores relativos à verba de gabinete não estavam acessíveis no portal no momento da coleta.
Situação semelhante ocorreu com Rodrigo da Zaeli (PL), que teve R$ 516 mil registrados na cota parlamentar, mas sem os números correspondentes à verba de gabinete — impedindo a consolidação do gasto total de seu mandato.
Os valores registrados nas rubricas de cota parlamentar e verba de gabinete são destinados a despesas consideradas essenciais para o exercício da atividade legislativa. Entre os principais itens custeados estão:
- Divulgação da atividade parlamentar;
- Contratação de serviços de terceiros e pessoal de apoio;
- Passagens aéreas e hospedagens;
- Locação e manutenção de veículos;
- Combustíveis e serviços de comunicação;
- Manutenção de escritórios de representação.
Esses gastos são regulamentados pela própria Câmara dos Deputados e visam garantir que os parlamentares tenham estrutura mínima para desempenhar suas funções no Congresso e junto às bases eleitorais.
Apesar da obrigatoriedade de divulgação dos dados, ainda persistem dificuldades para acesso completo às informações, a exemplo dos casos em que os valores de algumas componentes orçamentárias não estavam disponíveis.
A utilização de recursos públicos por parlamentares é tema de interesse social e político, sobretudo em momentos de debates sobre transparência, eficiência na aplicação dos recursos e prestação de contas à população. A existência de lacunas nos sistemas oficiais reforça a necessidade de aprimoramento na disponibilização e atualização dos registros.






