A mãe do prefeito de Nossa Senhora do Livramento, no interior de Mato Grosso, é alvo de investigação por estelionato após suspeitas de aplicar golpes usando indevidamente o nome e o cargo do filho para dar credibilidade às fraudes.
A suspeita, Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, teria usado a posição de seu filho — o prefeito Thiago Gonçalo de Almeida — para convencer vítimas a fazer negócios e empréstimos que nunca foram cumpridos, causando prejuízos de pelo menos R$ 143.250.
De acordo com os boletins de ocorrência registrados entre outubro e dezembro de 2025 na Delegacia de Polícia Judiciária Civil de Várzea Grande, as denúncias se referem a três episódios distintos, todos com padrão semelhante de atuação.
No primeiro caso, a vítima teria sido convencida a emprestar R$ 24 mil, sob a justificativa de que Adriana precisava pagar fornecedores de sua empresa e que quitária a dívida em quatro parcelas mensais de R$ 8 mil. A vítima efetuou as transferências por PIX em duas parcelas de R$ 12 mil em outubro de 2025, mas o pagamento jamais ocorreu — mesmo após promessas e solicitações posteriores.
Em outro boletim, registrado em 1º de dezembro, uma vítima relatou ter perdido R$ 119.250 em um suposto investimento no fornecimento de merendas escolares. Adriana teria afirmado ter vencido uma licitação e, com o retorno financeiro, pagaria o valor investido com lucro estimado entre 20% e 30%. O pagamento também não foi cumprido, e desculpas sobre problemas em notas fiscais surgiram antes do silêncio total da suspeita.
O terceiro registro policial envolve outra vítima que denunciou a utilização do nome da empresa E.G. de Freitas Ltda., pertencente a terceiros, em negociações que Adriana teria apresentado como legítimas. A empresária responsável pela companhia afirmou que documentos e notas fiscais eletrônicas foram usados sem autorização para atrair investidores e fortalecer a imagem de legitimidade do esquema.
O prefeito Thiago Gonçalo de Almeida negou qualquer participação nos supostos golpes e afirmou que foi surpreendido ao ser procurado por pessoas cobrando compromissos que desconhecia. Ele destacou que o nome e seu cargo foram usados sem autorização para dar credibilidade às promessas feitas pela mãe.
Em nota oficial, ele ressaltou que não teve qualquer envolvimento ou conhecimento sobre as negociações e que tomou a iniciativa de procurar a polícia espontaneamente para formalizar a denúncia assim que participou das investigações. Thiago ainda afirmou que apresentou documentos, extratos bancários e outras provas que demonstram sua boa-fé e total desconhecimento dos fatos.
Os três boletins foram registrados em um intervalo de menos de dois meses, sugerindo um possível padrão de atuação fraudulenta que pode ter afetado diversas pessoas na região, incluindo empresas e investidores particulares.
A suspeita está sendo investigada sob a acusação de estelionato com base no artigo 171 do Código Penal Brasileiro, e as investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil, que analisa documentos e ouve vítimas para determinar a extensão e a responsabilidade pelos prejuízos causados.






