A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso de uma injeção de longa duração para a prevenção do HIV no Brasil. O medicamento, à base de lenacapavir (nome comercial Sunlenca), passa a ser autorizado como profilaxia pré-exposição (PrEP) para pessoas que não vivem com o vírus, mas apresentam risco de infecção por via sexual.
Como funciona a nova PrEP injetável
O esquema aprovado prevê uma fase inicial com comprimidos, seguida por aplicações subcutâneas duas vezes por ano. A proposta é reduzir a necessidade de doses frequentes, ampliando a adesão ao tratamento quando comparada à PrEP oral diária atualmente disponível.
Quem pode usar
De acordo com a autorização da Anvisa, a PrEP injetável é indicada para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos. Antes do início do uso, é obrigatória a comprovação de teste negativo para HIV, já que o medicamento é destinado exclusivamente à prevenção.
Resultados apontados em estudos
Ensaios clínicos analisados pelo órgão regulador indicaram alta eficácia do lenacapavir. Em um dos estudos, realizado com mulheres cisgênero, não houve registro de novas infecções por HIV entre as participantes que utilizaram a medicação. Em outras pesquisas, o método apresentou desempenho superior à PrEP oral, especialmente em relação à adesão.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia recomendado o lenacapavir como estratégia de prevenção desde julho de 2025, apontando-o como uma das alternativas mais eficazes disponíveis, atrás apenas de uma vacina contra o HIV.
Disponibilidade no SUS ainda depende de etapas
Apesar da aprovação sanitária, o medicamento ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Os próximos passos envolvem a definição do preço máximo de venda no Brasil e, posteriormente, a avaliação do Ministério da Saúde sobre a incorporação da nova PrEP à rede pública.
Avanço na prevenção ao HIV
A PrEP integra as estratégias de prevenção combinada ao HIV, que incluem o uso de preservativos, testagem regular, tratamento das pessoas que vivem com o vírus e a profilaxia pós-exposição (PEP). A chegada de uma opção injetável e semestral é vista como um avanço, especialmente para públicos que enfrentam dificuldades em manter o uso diário de medicamentos.
A Anvisa reforça que novas informações sobre preço, comercialização e eventual oferta pelo SUS deverão ser divulgadas conforme o andamento dos processos regulatórios.





