O Ministério da Justiça enviou à Polícia Federal um pedido de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após representação apresentada por uma deputada do PT. A solicitação foi protocolada nos últimos dias da gestão de Ricardo Lewandowski à frente da pasta e agora está sob análise da corporação.
A representação foi feita pela deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), que acusa Flávio Bolsonaro de suposto crime contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devido a uma publicação em suas redes sociais na qual o senador associou Lula ao ditador venezuelano Nicolás Maduro e a supostos crimes como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e fraude eleitoral.
Nos trechos da postagem, Flávio Bolsonaro afirmou que com a prisão de Maduro ocorrida em uma operação dos Estados Unidos “começa a cair o Foro de São Paulo”, organização política fundada por partidos de esquerda na América Latina, e fez uma série de outras associações entre Lula, Maduro e atividades criminosas, sem apresentar provas.
O ofício foi assinado por Eliza Pimentel da Costa Simões, coordenadora-geral de Administração no gabinete do ministro da Justiça, e endereçado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para “apreciação” da representação.
No documento, o ministério solicita que a PF analise a denúncia, preserve provas digitais e, se necessário, devolva os autos ao gabinete do ministro, além de informar a Secretaria Nacional de Assuntos Legislativos (SAL) sobre o andamento do caso para repasse à deputada autora do pedido.
Para a deputada Dandara, a publicação de Flávio Bolsonaro ultrapassa os limites da liberdade de expressão, atingindo a honra do presidente da República e configurando possíveis crimes de calúnia, difamação e injúria. A parlamentar também argumenta que a imunidade parlamentar não se aplicaria à postagem, por entender que o conteúdo não estaria ligado ao exercício das funções legislativas.
Em redes sociais, a deputada reafirmou que “a democracia exige liberdade de expressão, mas também compromisso com a verdade, respeito às instituições e responsabilidade no debate público”.
Agora caberá à Polícia Federal analisar o pedido e decidir sobre a abertura ou não de um procedimento investigativo formal. A corporação normalmente não confirma ou comenta investigações em andamento. Caso seja instaurado inquérito, a investigação poderá incluir a coleta de provas, identificação de responsabilidades e eventual remessa a instâncias judiciais competentes, conforme o ordenamento jurídico brasileiro.
O episódio ocorre em meio ao clima político intenso que marca o Brasil na fase pré-eleitoral de 2026, com debate acirrado entre diferentes forças partidárias e questionamentos frequentes sobre a atuação de parlamentares e conteúdos de campanha.





