Deputado afirma que julgamento não traz justiça pela morte da filha em Nova Mutum

Foto: Reprodução

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL-MT) afirmou que o julgamento dos assassinos de sua filha não representa justiça real para a família e anunciou que acompanhará pessoalmente o procedimento no Tribunal do Júri, marcado para o próximo dia 22 de janeiro, em Nova Mutum. A declaração foi dada em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026).

A filha do parlamentar, Raquel Maziero Cattani, tinha 26 anos e foi assassinada a facadas em sua residência em Nova Mutum no dia 18 de julho de 2024. Os acusados são os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, que teriam planejado e executado o feminicídio.

Cattani afirmou que, apesar da expectativa de condenação dos réus — que são confessos e cujas provas, segundo ele, são robustas — a demora de um ano e meio para levar o caso a julgamento causa frustração. “Acho que serão condenados porque são réus confessos e as provas são infalíveis, mas isso não trará nossa menina de volta”, declarou o deputado.

O parlamentar disse ainda que nenhuma decisão judicial é capaz de reparar a perda sofrida por sua família. “Nós nunca mais vamos ver nossa filha, nem os filhos dela vão ver a mãe. Para mim, não existe um sentimento real de justiça”, afirmou, reforçando que o veredito não ameniza a dor dos familiares.

O deputado confirmou que acompanhará presencialmente o julgamento, mas que ficará na plateia durante a sessão. Sua esposa, Sandra Cattani, foi arrolada como testemunha e deverá prestar depoimento no Tribunal do Júri. “Quem vai ficar mais à frente é ela, mas eu estarei presente”, disse.

Sobre a possibilidade de se deparar com os acusados no tribunal, Cattani afirmou não saber como será sua reação, afirmando que nunca mais esteve frente a frente com os responsáveis pelo crime. “Qualquer pai ficaria totalmente consternado”, declarou.

A posição pública do deputado reacende o debate sobre o tempo de tramitação de processos violentos no sistema judiciário e sobre a percepção de justiça por parte dos familiares das vítimas, que frequentemente consideram o resultado formal insuficiente para reparar danos emocionais irreparáveis.

O julgamento está previsto para ocorrer às 8h do dia 22 de janeiro em Nova Mutum, com a possível condenação dos acusados pelos crimes atribuídos.

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