Mato Grosso – Cursos de medicina em instituições do estado podem ter vagas reduzidas ou sofrer outras sanções após os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgado pelo Ministério da Educação. A avaliação coloca sob risco principalmente graduações privadas que ficaram abaixo da nota de corte mínima exigida pelo MEC, fixada em 60% de concluintes considerados proficientes.
Os dados do Enamed 2025 revelam desempenho desigual entre os cursos de Medicina do estado:
- Em Sinop, o curso público alcançou 89,7% de proficiência, com conceito 4, um dos melhores resultados registrados no estado.
- Outro curso público em Cuiabá também apresentou desempenho elevado, com 85,3% de proficiência e conceito 4, ambos acima da média nacional, na qual cerca de 69% dos cursos avaliados atingiram desempenho satisfatório.
- Na privada de Várzea Grande, o curso avaliado teve 69,1% de proficiência, garantindo conceito 3, acima do mínimo, mas abaixo do desempenho dos públicos.
- O pior resultado no estado ocorreu em um curso privado em Cuiabá, em que apenas 45,7% dos concluintes atingiram o nível mínimo exigido, resultando em conceito 2.
De acordo com o MEC, os cursos que não alcançarem o percentual mínimo de 60% de concluintes proficientes podem ser alvo de diversas medidas administrativas, como:
- Restrição no número de vagas oferecidas nos próximos processos seletivos;
- Suspensão da participação em programas federais, como acesso a financiamento e bolsas;
- Em casos mais extremos, suspensão ou desativação das atividades do curso.
As instituições têm 30 dias para apresentar justificativas e respostas que possam evitar ou mitigar a aplicação das sanções, que serão escalonadas conforme o desempenho de cada curso até a próxima edição do Enamed.
O Enamed é conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e foi criado para avaliar a formação médica em todo o país, unificando critérios de avaliação que antes estavam dispersos em exames diferentes.
Especialistas em educação superior apontam que, além da redução de vagas, cursos mal avaliados podem enfrentar restrições para ampliar oferta ou firmar convênios em programas federais de apoio estudantil. A avaliação Enamed, aplicada anualmente desde 2025, passa a ser um instrumento permanente de monitoramento da qualidade do ensino médico no Brasil, com objetivos de assegurar que os futuros profissionais da saúde tenham formação alinhada às diretrizes curriculares nacionais.
As instituições que obtiveram desempenho insatisfatório precisarão ajustar currículos, corpo docente e infraestrutura para evitar novas penalidades e manter seus cursos em conformidade com as exigências do MEC. A próxima edição do exame está prevista para o segundo semestre de 2026.





