A Carla Zambelli, ex-parlamentar brasileira condenada em duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF), teve mais uma vez o julgamento sobre seu pedido de extradição na Itália adiado pela Corte de Apelação de Roma. Esta marca o quarto adiamento no processo que pode determinar o retorno dela ao Brasil para cumprir pena.
O julgamento, inicialmente programado para 20 de janeiro de 2026, foi novamente suspenso após a defesa da ex-deputada obter prazo para apresentar uma arguição de suspeição contra os magistrados responsáveis pelo caso, o que pode resultar na substituição da equipe julgadora.
Zambelli está presa na Itália desde julho de 2025, depois de fugir do Brasil pouco antes do cumprimento de sua pena determinada pelo STF. O pedido formal de extradição foi feito pelo Supremo com o apoio do Itamaraty, mas o processo judicial italiano acumula sucessivos adiamentos há meses.
Antes deste último, outras três sessões foram remarcadas, incluindo uma em dezembro de 2025, a pedido da defesa, que requereu mais tempo para analisar documentos do processo.
Apesar das tentativas de prolongar o caso, o Ministério Público italiano já se manifestou favoravelmente à extradição, acolhendo o pedido brasileiro.
Segundo nota oficial divulgada pela defesa de Zambelli, composta pelos escritórios Pagnozzi Advogados e Studio Legale Sammarco e Associati, o tribunal vinha tentando concluir o julgamento com uma decisão “visivelmente pré-concebida”, negando a produção de provas e a oitiva de testemunhas consideradas fundamentais. Por esse motivo, a defesa argumenta que houve cerceamento de defesa e parcialidade dos juízes, em violação à legislação europeia e a normas internacionais de direitos humanos.
Entre os pontos levantados está a tentativa de incorporar ao processo documentos sigilosos do STF, como o chamado Relatório nº 38 da Polícia Federal, que os advogados afirmam demonstrar a ausência de ligação direta de Zambelli com a invasão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — crime pelo qual também foi condenada.
No Brasil, Zambelli já recebeu duas condenações definitivas pelo STF:
- 5 anos e 3 meses de prisão por apontar uma arma de fogo contra um apoiador político em São Paulo, em 2022.
- 10 anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do CNJ.
O adiamento mais recente ocorre em meio ao andamento dessas disputas legais na Itália, que continuam sem data definida para retomada, e com expectativa de que os próximos passos na Corte de Roma deverão acontecer nos próximos dias após o prazo dado para as alegações de suspeição serem formalizadas.





