Brasília — O Supremo Tribunal Federal (STF) pagou 128 diárias a agentes de segurança entre 2022 e 2025 para acompanhar ministros em viagens a uma região do Paraná onde está localizado o resort Tayayá, empreendimento que já pertenceu a irmãos do ministro Dias Toffoli. O gasto total foi de aproximadamente R$ 460 mil, segundo levantamento revelado pelo Jornal Nacional, da TV Globo.
As viagens ocorreram em períodos como feriados, finais de semana prolongados e recesso do Judiciário, o que levantou questionamentos sobre o caráter institucional das agendas e o uso de recursos públicos.
O resort Tayayá teve participação societária de dois irmãos de Dias Toffoli no passado. Posteriormente, parte das cotas foi negociada com um fundo ligado à empresa Reag, que está no centro de investigações relacionadas ao caso Banco Master, apurando possíveis irregularidades financeiras e suspeitas de lavagem de dinheiro.
A conexão entre o empreendimento, a empresa investigada e o ministro intensificou debates sobre potencial conflito de interesses e imparcialidade em decisões judiciais.
Diante das revelações, parlamentares solicitaram o afastamento de Dias Toffoli de processos ligados ao caso Banco Master.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar um dos pedidos, afirmando que não há elementos suficientes para novas providências no momento e que o tema já está sob análise no STF.
Outro pedido de afastamento, apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo), segue em avaliação.
O caso Banco Master tramita sob sigilo no Supremo, por decisão do próprio Toffoli. A medida tem sido alvo de críticas por parte de setores políticos e especialistas em transparência, que defendem maior publicidade dos atos processuais, dada a repercussão institucional do tema.
Especialistas ouvidos pelo Jornal Nacional destacam que o pagamento de diárias para deslocamentos em períodos sem compromissos oficiais formais pode levantar dúvidas sobre a finalidade das viagens e a adequação dos gastos públicos, embora o STF alegue que as despesas se referem à segurança regular de autoridades.
Até o momento, o Supremo não divulgou detalhes completos sobre a agenda oficial vinculada a todas as viagens.
O episódio ampliou a pressão por maior controle e transparência nos gastos do Judiciário e reacendeu o debate sobre critérios de impedimento e suspeição de ministros em processos que envolvem interesses indiretos de familiares.





