Tangará da Serra (MT) — A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou pedido de habeas corpus e manteve a prisão preventiva de L.G.C.S., de 20 anos, estagiária do Fórum de Tangará da Serra, investigada como líder de uma organização criminosa especializada em golpes eletrônicos.
De acordo com as investigações, o grupo reúne mais de 160 integrantes e atuava em fraudes bancárias e estelionatos digitais, aplicando golpes por meio de ligações, mensagens e links fraudulentos para obter dados pessoais e financeiros de vítimas em diversas regiões do país.
Conforme a Polícia Civil, a suspeita exercia papel de liderança na organização, conhecida como “Tropa da Giih”, que possuía hierarquia interna, divisão de funções, metas de produtividade e sistema de bonificações baseado no volume de golpes aplicados.
Perícias em celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos revelaram mensagens, vídeos e arquivos em que a estagiária orienta e treina outros integrantes sobre como aplicar os crimes.
O TJMT destacou que Lília teria movimentado mais de R$ 700 mil em cerca de um ano, valor considerado incompatível com sua renda formal. A investigação aponta ainda indícios de lavagem de dinheiro, uso de empresa de fachada e ocultação patrimonial, incluindo veículos registrados em nome de terceiros.
Durante o cumprimento de mandados, foram apreendidos celulares, notebook, chips telefônicos, dinheiro em espécie e materiais digitais supostamente usados na prática criminosa.
Outro ponto citado no processo é a possibilidade de uso indevido da função no Judiciário, com suspeita de vazamento de informações sigilosas para beneficiar a atuação do grupo criminoso.
Ao negar o habeas corpus, os desembargadores entenderam que medidas cautelares alternativas, como tornozeleira eletrônica ou prisão domiciliar, não seriam suficientes para impedir a continuidade dos crimes.
O TJ ressaltou o alto grau de sofisticação tecnológica do esquema, o risco de destruição de provas, a possibilidade de influência sobre outros investigados e a gravidade dos fatos como fundamentos para manter a prisão preventiva.
A Polícia Civil segue apurando a atuação da organização criminosa, que pode ter feito centenas de vítimas em diferentes estados. Outros integrantes do grupo também são alvos de investigações e podem responder por estelionato qualificado, organização criminosa, falsa identidade e lavagem de dinheiro.





