As declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, sobre a merenda escolar da rede municipal provocaram reação de nutricionistas e levaram o Ministério Público de Mato Grosso a acompanhar o caso. A controvérsia surgiu após o prefeito criticar, em uma live, o cardápio servido nas escolas e defender o uso de açúcar nas receitas oferecidas aos estudantes.
Durante a transmissão, Abilio afirmou que o café da manhã nas unidades escolares estaria “sem graça” e questionou a ausência de açúcar em itens como bolo de cacau. Ele também argumentou que as crianças já consomem açúcar em casa e disse que a retirada do ingrediente poderia aumentar o desperdício de alimentos nas escolas.
O prefeito ainda pediu acesso aos cardápios da merenda e declarou que as refeições precisam seguir as exigências do Ministério da Educação, mas também devem ser mais atrativas ao público infantil.
Em nota pública, o Conselho Regional de Nutrição da 1ª Região repudiou a fala e afirmou que a defesa do uso indiscriminado de açúcar ignora critérios técnicos e científicos que orientam a alimentação escolar. A entidade ressaltou que os cardápios são elaborados por nutricionistas habilitados e seguem normas legais do Programa Nacional de Alimentação Escolar, previsto na Lei nº 11.947/2009.
Segundo o conselho, a alimentação ofertada nas escolas tem papel importante na prevenção da obesidade infantil e de doenças crônicas precoces, como diabetes tipo 2 e hipertensão. O CRN-1 também manifestou solidariedade aos profissionais que atuam no programa em Cuiabá e defendeu respeito ao trabalho técnico na definição da merenda escolar.
O episódio também chegou ao Ministério Público. O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira encaminhou ofício à 8ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá para avaliação de eventuais providências. No documento, ele destaca preocupação com o teor das declarações e reforça que o ambiente escolar deve estimular hábitos alimentares saudáveis entre crianças e adolescentes.
Procurada, a assessoria da Prefeitura de Cuiabá informou que a posição oficial da gestão é a mesma expressa pelo prefeito.






