Polícia aponta que conselheiro de facção comandava tráfico e extorsão de dentro da PCE

Foto: PJC/Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso apontou que Gilson Rodrigues Santos, conhecido como “Russo”, comandava ações de uma facção criminosa mesmo estando preso na Penitenciária Central do Estado. Ele é investigado na Operação Roleta Russa, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado.

Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, responsável pela operação, Russo é apontado como conselheiro da facção e mantinha contato com familiares e outros integrantes do grupo fora da unidade prisional. A investigação teve início após a apreensão de um aparelho celular com o suspeito no fim de 2025.

De acordo com a Polícia Civil, as conversas encontradas no celular permitiram mapear a atuação do grupo fora da cadeia. As ordens, segundo a investigação, partiam da prisão e eram executadas por pessoas ligadas ao investigado.

Ainda conforme a apuração, Russo exercia papel estratégico na facção e determinava ações em bairros de Cuiabá, como Planalto e Altos da Serra. Entre as práticas investigadas estão cobrança de taxas de comerciantes, controle de festas e distribuição de entorpecentes.

O primo do investigado, Robson Monteiro da Silva, é apontado pela Polícia Civil como braço direito de Russo fora da cadeia. Ele seria o responsável por executar parte das determinações repassadas pelo preso.

A operação cumpriu 12 ordens judiciais, sendo dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e sete de sequestro de bens e valores. Também foi determinado o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas vinculadas aos investigados.

As investigações apontam ainda que o grupo mantinha um esquema estruturado de tráfico de drogas, com negociações diretas com fornecedores de outros países, especialmente da Bolívia.

Outro ponto apurado é a movimentação financeira. Segundo a Polícia Civil, a organização teria movimentado mais de R$ 20 milhões em cerca de dois anos. Os valores passariam por contas de terceiros e depósitos fracionados, prática apontada como tentativa de ocultar a origem do dinheiro.

Entre os investigados está uma advogada, suspeita de atuar como pessoa interposta no esquema. A esposa de Russo também foi alvo de buscas. Conforme a investigação, ela não teria renda formal, mas manteria padrão de vida elevado, com veículos de luxo e residência em condomínio fechado.

A Polícia Civil informou que o bloqueio de bens e valores busca enfraquecer financeiramente a atuação de facções criminosas e garantir eventual reparação à sociedade.

A Operação Roleta Russa integra o planejamento estadual de enfrentamento ao crime organizado e também faz parte de uma ação nacional coordenada pelo Ministério da Justiça.

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