Governo de Mato Grosso – Enfrentamento à violência doméstica

Impacto Geral

Projeto prevê tornozeleira com choque para agressor que descumprir distância de vítima

Foto: Gerado por IA

Um projeto apresentado na Câmara dos Deputados prevê que tornozeleiras eletrônicas utilizadas por agressores submetidos a medidas protetivas possam emitir descargas elétricas caso o monitorado ultrapasse o perímetro de segurança estabelecido pela Justiça.

O Projeto de Lei nº 5.449/2026 é de autoria da deputada federal Antônia Lúcia (MDB-AC) e pretende alterar a Lei Maria da Penha para acrescentar o mecanismo aos dispositivos de monitoração eletrônica.

A proposta foi apresentada em 23 de setembro e ainda está no início da tramitação no Congresso Nacional.

Equipamento daria alerta antes da descarga

Pelo projeto, o mecanismo funcionaria de maneira gradual.

Quando o agressor se aproximasse do limite estabelecido pela Justiça, a tornozeleira ou bracelete emitiria inicialmente um alerta sonoro, vibratório ou os dois simultaneamente.

Caso o monitorado continuasse avançando e ultrapassasse efetivamente o perímetro de exclusão, o dispositivo poderia emitir uma descarga elétrica de intensidade leve.

Se a aproximação continuasse, poderia ser aplicada uma descarga de intensidade média.

Em uma terceira etapa, caso o agressor persistisse mesmo após os alertas anteriores, o equipamento poderia emitir uma descarga de maior intensidade, descrita no projeto como não letal, para provocar incapacitação física temporária.

Intensidade ainda teria de ser regulamentada

O texto não estabelece valores específicos para a intensidade das descargas.

Caso a proposta seja aprovada, caberá a uma regulamentação definir os protocolos de acionamento, os limites de cada nível, os intervalos entre as descargas e as contraindicações para uso do equipamento.

Também deverão ser estabelecidos parâmetros de segurança destinados a preservar a natureza preventiva e não letal prevista pelo projeto.

Lei atual já permite monitorar aproximação

A Lei Maria da Penha já prevê a monitoração eletrônica de agressores em determinadas situações.

Desde abril de 2026, a legislação estabelece a monitoração como medida protetiva autônoma e determina que o sistema avise automaticamente a vítima e a unidade policial mais próxima quando o agressor romper a área de exclusão definida pela Justiça.

A nova proposta pretende acrescentar uma resposta física ao equipamento.

Na justificativa, a autora argumenta que, embora o sistema atual possa detectar a violação e enviar o alerta, ainda existe um intervalo até a chegada de uma equipe policial.

Segundo a parlamentar, o mecanismo de descarga elétrica seria uma tentativa de impedir a continuidade da aproximação durante esse período.

Projeto admite possíveis questionamentos

A própria proposta reconhece que a utilização de descarga elétrica em equipamentos de monitoramento poderá levantar discussões jurídicas, constitucionais, médicas e técnicas.

O texto menciona ainda possíveis questionamentos relacionados a tratados internacionais e defende que o tema seja analisado durante a tramitação, inclusive por meio de debates e audiências com especialistas.

O Projeto de Lei nº 5.449/2026 ainda não foi aprovado e, portanto, a medida não está em vigor.

Caso o Congresso aprove a proposta e o texto seja posteriormente transformado em lei, a previsão é de que as novas regras comecem a valer 180 dias após a publicação.

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