O crescimento da produção agropecuária brasileira e a ampliação do acesso a mercados internacionais aumentam também a demanda sobre o sistema responsável por fiscalizar alimentos, combater pragas e doenças e certificar produtos destinados à exportação.
Nesse cenário, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) afirma que o país enfrenta um déficit estimado de 1.233 profissionais na carreira responsável por parte dessas atividades.
Segundo a entidade, atualmente existem 2.461 Auditores Fiscais Federais Agropecuários em atividade.
O sindicato defende uma recomposição planejada do quadro, além de investimentos em tecnologia, laboratórios e estrutura de fiscalização.

Produção brasileira supera 350 milhões de toneladas
O alerta ocorre em um momento de elevada produção no campo.
Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deverá alcançar 354,5 milhões de toneladas em 2026.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que utiliza metodologia e recorte próprios, estima produção de 361,7 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/2026.
O volume representa crescimento de 2,6% em comparação com o ciclo anterior.
Quanto maior a produção e a circulação de produtos agropecuários, maior também é a demanda por inspeção, fiscalização e certificação sanitária.
O que faz a defesa agropecuária
A defesa agropecuária reúne ações voltadas à proteção da produção vegetal e animal.
Entre as atividades estão o combate e a prevenção de doenças e pragas, fiscalização de insumos, inspeção de produtos de origem animal e vegetal e controle sanitário em portos, aeroportos e fronteiras.
Os auditores também atuam na certificação exigida por países compradores de produtos brasileiros.
Esse trabalho é relevante para impedir a entrada de agentes que possam causar doenças em animais ou prejuízos às lavouras, além de garantir que produtos destinados ao mercado interno e à exportação cumpram exigências sanitárias.
Brasil chegou a 700 novas aberturas de mercados
Em outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária anunciou que o Brasil alcançou a marca de 700 novas aberturas de mercados para produtos agropecuários desde o início de 2023.
Cada abertura corresponde à autorização para que determinado produto brasileiro passe a ser comercializado em um país ou mercado específico.
O governo atribui parte dessa expansão à credibilidade do sistema sanitário e de defesa agropecuária brasileiro.
A abertura de um mercado externo geralmente depende de negociações diplomáticas e da comprovação de que o país exportador atende aos requisitos sanitários e fitossanitários estabelecidos pelo comprador.
Sindicato alerta para falta de profissionais
Para o Anffa Sindical, o aumento da produção e das exportações precisa ser acompanhado pela estrutura pública de fiscalização.
A entidade estima que faltam atualmente 1.233 auditores fiscais federais agropecuários para atender às necessidades do sistema.
O número é uma estimativa apresentada pelo próprio sindicato e não representa, isoladamente, um cálculo oficial divulgado pelo Ministério da Agricultura.
A entidade também aponta que parte dos servidores em atividade já reúne condições para aposentadoria, o que poderia ampliar a necessidade de reposição nos próximos anos.
Prevenção reduz risco de crises sanitárias
A fiscalização agropecuária funciona principalmente de forma preventiva.
Uma das preocupações é evitar que pragas ou doenças cheguem às áreas produtoras ou se espalhem pelo território nacional.
Problemas sanitários podem provocar restrições às exportações, necessidade de abate de animais, destruição de lavouras e outros impactos econômicos.
Por isso, mercados compradores costumam exigir controles sanitários, rastreabilidade e certificações antes de permitir a entrada de produtos.
Entidade entrega carta aos candidatos à Presidência

O debate ganhou dimensão eleitoral depois que o Anffa Sindical divulgou uma carta aberta direcionada aos candidatos à Presidência da República.
No documento, a entidade pede que a próxima gestão federal trate a defesa agropecuária como política estratégica de Estado.
Entre as reivindicações estão recomposição do quadro de auditores, investimentos em estrutura e tecnologia, previsibilidade orçamentária e valorização da carreira.
As propostas representam a posição institucional do sindicato e deverão ser analisadas dentro do debate sobre orçamento, gestão pública e prioridades da próxima administração federal.






