Impacto Geral

New York Times destaca eleição “caótica” e lembra ligação de Zanin com Lula após prorrogação da votação

Reprodução TV Globo

A decisão que prorrogou o horário de votação no segundo turno da eleição presidencial brasileira ganhou repercussão internacional e foi destaque no jornal americano New York Times.

O veículo descreveu o encerramento da eleição como “caótico” após uma decisão de última hora do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a extensão da votação por até duas horas.

A publicação também ressaltou que Zanin atuou anteriormente como advogado pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de ser indicado por ele para uma vaga no STF, em 2023.

Decisão ocorreu perto do fechamento das urnas

A votação estava prevista para terminar às 17h de domingo (25).

Poucos minutos antes desse horário, Zanin decidiu estender o recebimento de votos até as 19h, diante de reclamações envolvendo dificuldades no transporte de eleitores.

A primeira decisão estabelecia a ampliação do horário em todo o território nacional.

O problema é que, quando a determinação começou a chegar aos tribunais regionais e locais de votação, diversas seções já haviam encerrado os trabalhos e fechado as urnas eletrônicas.

Isso gerou dúvidas entre mesários, tribunais eleitorais e eleitores sobre quais locais poderiam continuar recebendo votos.

Zanin depois esclareceu alcance da medida

Após ser informado de que muitas urnas já estavam fechadas, Zanin esclareceu que a decisão deveria ser aplicada apenas às seções que ainda permanecessem abertas.

As urnas já encerradas não foram reabertas.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, posteriormente orientou os tribunais regionais a manterem abertas até as 19h somente as seções que ainda estavam funcionando.

Enquanto a situação era definida, a totalização e a divulgação dos votos ficaram temporariamente suspensas.

New York Times cita relação anterior entre Zanin e Lula

A cobertura do New York Times chamou atenção também para o histórico profissional do ministro.

Antes de integrar o Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin foi advogado de Lula e participou de sua defesa em processos da Operação Lava Jato.

Lula indicou Zanin para o STF em 2023.

Essa relação anterior passou a ser citada por Flávio Bolsonaro e aliados ao questionarem a decisão tomada durante a eleição.

A existência dessa relação profissional é um fato público. No entanto, ela não demonstra, por si só, que a decisão judicial tenha beneficiado deliberadamente qualquer candidato.

Especialistas falaram em situação inédita

Segundo a cobertura atribuída ao New York Times, especialistas em Direito Eleitoral classificaram a situação como excepcional.

A advogada eleitoral Priscilla Sodré Pereira afirmou ao jornal que se tratava de uma situação extremamente grave e crítica.

Já o professor de Direito Eleitoral Fernando Neisser explicou que uma eventual contestação poderia depender da demonstração concreta de que a extensão ocorreu de maneira desigual em regiões favoráveis a um candidato e que isso teria capacidade de alterar o resultado.

Portanto, a simples existência da confusão não significa automaticamente que a eleição possa ser anulada.

As duas campanhas pediram extensão

Outro ponto importante é que tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro haviam apresentado pedidos relacionados à ampliação do horário.

Lula alegou problemas e redução de transporte público em diferentes cidades, especialmente em locais onde eleitores enfrentavam dificuldades para chegar às seções.

Já a campanha de Flávio relatou problemas provocados pelas fortes chuvas em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Posteriormente, Zanin afirmou que as duas candidaturas haviam apresentado alegações relacionadas ao transporte dos eleitores.

Resultado foi posteriormente proclamado

Apesar da controvérsia, a apuração foi retomada após as 19h.

O TSE concluiu a totalização e proclamou Luiz Inácio Lula da Silva vencedor do segundo turno.

Flávio Bolsonaro passou a questionar publicamente a decisão que ampliou o horário e anunciou contestação do resultado.

Até o momento, porém, a existência de uma decisão controversa ou de problemas operacionais não equivale à comprovação de fraude eleitoral.

Eventuais questionamentos sobre a validade do pleito dependem de análise jurídica e da apresentação de provas capazes de demonstrar impacto concreto no resultado.

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