O que era para ser um dia de lazer na famosa praia de Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, acabou em violência e repercussão nacional. Um casal de turistas naturais de Tangará da Serra, identificado como Johnny Andrade Barbosa e Cleiton Zanatta, foi agredido por barraqueiros e outros comerciantes do local após um desentendimento envolvendo o valor cobrado pelo uso de cadeiras e guarda-sóis na faixa de areia.
Segundo o relato das vítimas, registrado em boletim de ocorrência, o casal chegou à praia por volta das 10h do sábado (27 de dezembro) e foi inicialmente informado de que o uso de cadeiras seria cobrado a R$ 50, sem obrigação de consumo de petiscos. Durante o período em que permaneceram na praia, eles consumiram duas águas de coco, o que, conforme o acordo inicial, dispensaria a cobrança pelo uso da estrutura.
O problema começou no fim da tarde, por volta das 16h, quando o casal solicitou a conta. Nesse momento, os barraqueiros informaram que, como não houve consumo de petiscos, o valor passaria a ser de R$ 80, o que foi contestado pelos turistas. Ao questionarem a cobrança adicional, a discussão evoluiu rapidamente.
De acordo com os relatos de Johnny, após a recusa em pagar o valor exigido, ele foi agredido fisicamente, e cerca de 15 a 20 pessoas teriam se envolvido no ataque, que começou no local e só foi contido com a atuação dos salva-vidas civis que trabalham na praia. Imagens que circularam nas redes sociais mostram o casal ferido e amparado por equipes de salvamento, sendo retirados da área de conflito para evitar que a violência se intensificasse ainda mais.
Johnny também relatou acreditar que o ataque poderia ter tido caráter homofóbico, uma vez que ele e Cleiton são um casal gay e estavam juntos no momento da confusão.
Após serem retirados do local, o casal procurou atendimento médico em um hospital da região. Eles relataram lesões visíveis no rosto e no corpo e, apesar de não apresentarem fraturas graves após exames, receberam cuidados e medicação no hospital.
Em seguida, o casal se dirigiu à Delegacia de Porto de Galinhas, onde registrou o boletim de ocorrência sobre a agressão sofrida. As delegacias locais têm aberto inquérito para apurar o caso sob a perspectiva de lesão corporal e outros crimes conexos.
O episódio ganhou ampla repercussão nas redes sociais e em veículos de comunicação de todo o país, com vídeos e relatos compartilhados por usuários indignados com a violência sofrida pelos turistas. Autoridades municipais de Ipojuca emitiram notas de repúdio, classificando a agressão como um ato grave e incompatível com a vocação turística da região, enquanto o processo de identificação dos agressores segue em andamento.
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que a Polícia Civil investiga o caso como prioridade, e que reforçou o policiamento na área com apoio do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur).
O caso reacendeu debates sobre segurança de turistas em destinos turísticos populares durante períodos de alta temporada, bem como sobre a regulação e fiscalização das cobranças de serviços nas praias, incluindo o uso de cadeiras, guarda-sóis e demais estruturas ofertadas por comerciantes informais.





