O ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou uma carta em que saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pediu o fim dos ataques entre aliados da direita. No texto, ele afirma lamentar críticas feitas “pela própria direita” contra colegas e contra sua esposa e defende que apoios para campanhas majoritárias e para vagas ao Senado sejam construídos “pelo diálogo e convencimento”, e não por “pressões ou ataques entre aliados”.
A manifestação foi tornada pública no domingo, 1º de março de 2026, e ocorre em meio às movimentações do grupo bolsonarista para a disputa eleitoral deste ano. Na carta, Bolsonaro também diz ter pedido que Michelle só se envolva mais diretamente na política após março de 2026, alegando questões familiares e pessoais.
O gesto tem forte peso político porque Michelle é apontada como possível candidata ao Senado pelo Distrito Federal, embora ainda não tenha confirmado oficialmente a entrada na disputa. Reportagem da CNN Brasil informa que anotações ligadas ao entorno de Flávio Bolsonaro colocam o nome da ex-primeira-dama entre as opções para a chapa ao Senado no DF.
A carta também expõe o momento de tensão dentro do próprio campo bolsonarista. Segundo Itatiaia e Metrópoles, o texto foi divulgado após críticas recentes de Eduardo Bolsonaro a Michelle Bolsonaro e ao deputado federal Nikolas Ferreira, em meio à disputa sobre o rumo político do grupo e o apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
O pano de fundo dessa movimentação é a tentativa do PL de consolidar o nome de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Nos últimos dias, a CNN Brasil informou que a sigla aposta no crescimento do senador nas pesquisas e trabalha para ampliar sua exposição nacional, depois de levantamentos apontarem empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenário de segundo turno.
Com isso, a carta de Bolsonaro ultrapassa o aspecto pessoal e se transforma em recado político. Ao pedir unidade e frear ataques internos, o ex-presidente tenta reduzir o desgaste entre nomes próximos e preservar a coesão do grupo em um momento decisivo de definição de candidaturas, alianças e espaço de Michelle Bolsonaro no projeto eleitoral da direita para 2026.






