O Brasil caminha para registrar o maior rombo fiscal desde a criação do Plano Real, em 1994, segundo análises econômicas que avaliam o desempenho das contas públicas durante a terceira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Projeções indicam que o desequilíbrio fiscal acumulado entre 2023 e 2026 pode superar todos os governos anteriores do período pós-Real.
De acordo com estimativas de especialistas e instituições de acompanhamento fiscal, o déficit nominal médio — que inclui despesas, receitas e o pagamento de juros da dívida pública — pode atingir cerca de 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo do atual mandato. O índice é considerado recorde na série histórica recente.
O governo iniciou o mandato herdando um déficit equivalente a aproximadamente 4,6% do PIB em 2022, mas as projeções apontam para uma ampliação expressiva desse desequilíbrio até 2026, com crescimento próximo de 90% em relação ao patamar inicial.
Apesar de um cenário de arrecadação recorde de tributos, o ritmo de crescimento das despesas públicas e o peso do serviço da dívida têm impedido uma reversão consistente do quadro fiscal.
Outro fator que agrava a situação é o nível elevado da dívida pública brasileira, que se aproxima de 87% do PIB, colocando o país entre os mais endividados do grupo de economias emergentes. O alto endividamento aumenta a percepção de risco, pressiona os juros e reduz a capacidade de investimento do Estado.
Especialistas alertam que, quanto maior a dívida, maior é o custo do seu financiamento, criando um ciclo de juros elevados e déficit persistente, que limita a margem de manobra do governo.
Analistas apontam que a deterioração fiscal ocorre em meio à ausência de reformas estruturais profundas, capazes de conter o crescimento dos gastos obrigatórios e reequilibrar o orçamento público. Medidas pontuais adotadas até agora não foram suficientes para compensar o aumento das despesas e o impacto dos juros sobre a dívida.
Esse cenário aumenta a pressão por alternativas como elevação de impostos, cortes em investimentos ou ajustes em políticas públicas — opções que geram resistência política e social.
O avanço do rombo fiscal pode gerar efeitos diretos sobre a economia, como:
- redução da capacidade de investimento do governo;
- aumento da incerteza econômica;
- manutenção de juros elevados;
- maior pressão sobre o orçamento de áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.
Economistas alertam que, sem mudanças estruturais, o país pode enfrentar dificuldades para sustentar o crescimento econômico e manter a estabilidade das contas públicas nos próximos anos.
O cenário fiscal tem alimentado debates intensos no meio político e econômico. Enquanto o governo defende a necessidade de políticas sociais e investimentos públicos para estimular a economia, críticos apontam que a trajetória atual das contas públicas compromete a sustentabilidade fiscal de médio e longo prazo.
O desempenho fiscal da terceira gestão Lula deve seguir no centro das discussões econômicas, especialmente diante da necessidade de conciliar crescimento, responsabilidade fiscal e estabilidade macroeconômica.





