“Nossa dor não é bandeira”: irmã de vítimas da chacina em Sorriso reage ao anúncio de candidatura do ex-cunhado

Foto: Reprodução

Sorriso (MT) – A família das vítimas da chacina que chocou o Brasil em novembro de 2023 voltou a se pronunciar, desta vez no contexto eleitoral de 2026, após o anúncio de pré-candidatura do ex-cunhado e pai das crianças assassinadas, Regivaldo Batista Cardoso, a uma vaga na Câmara dos Deputados.

Em uma declaração pública publicada nas redes sociais e repercutida nas mídias locais, Valdete Calvi, irmã de Cleci Calvi Cardoso — morta junto com as três filhas —, pediu que a tragédia familiar não seja utilizada como capital político, ferramenta midiática ou estratégia eleitoral.

“Nossa dor não é bandeira. Nossa história não é ferramenta eleitoral. A memória das meninas não será usada como argumento político”, afirmou Valdete no texto divulgado. A irmã destaca que, embora não se oponha à candidatura de Regivaldo, a família não autoriza, em nenhuma hipótese, o uso da imagem, do nome, da memória ou da história das vítimas para fins políticos, eleitorais ou midiáticos”.

No pronunciamento, Valdete reforça que o assassinato da irmã e das sobrinhas foi um crime brutal que deixou uma dor permanente e irreparável, e que não pode ser convertida em capital político ou aproveitada como narrativa eleitoral. Ainda que expresse respeito à trajetória pessoal de Regivaldo, ela enfatiza que o sucesso dele, caso ocorra, deve ser baseado em propostas, ideias e compromisso com a sociedade, e não em associação à tragédia familiar.

O episódio que ficou conhecido como a chacina de Sorriso ocorreu em 27 de novembro de 2023, na cidade de Sorriso, no interior de Mato Grosso. Dentro da residência da família, Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, e suas três filhas — Miliane (19), Manuela (12) e Melissa Gabriela (10) — foram encontradas mortas com múltiplos ferimentos.

O autor do crime, Gilberto Rodrigues dos Anjos, que vivia e trabalhava em uma obra próxima ao imóvel, foi preso em flagrante e, posteriormente, condenado a 225 anos de prisão em regime fechado por estupro e homicídio qualificado.

Regivaldo, caminhoneiro à época do crime, não estava na casa no momento dos assassinatos. A repercussão do caso levou a ampla cobertura da mídia e intensas discussões públicas sobre violência e segurança no país, gerando projeção pública ao ex-candidato.

O posicionamento de Valdete surge em um momento em que o cenário político nacional começa a se agitar para as eleições do próximo ano, e casos de grande impacto social costumam ser citados por candidatos como referências ou justificativas de pautas. A declaração da irmã da vítima ressalta a necessidade de preservar a dignidade e a memória das vítimas, evitando que a dor de uma família se transforme em instrumento de debate político ou campanha eleitoral.

Apesar da crítica à eventual associação entre o caso e o projeto político de Regivaldo, Valdete afirma desejar sucesso pessoal para o ex-cunhado, desde que sua trajetória pública seja construída com mérito próprio, responsabilidade social e compromisso ético com a sociedade.

A declaração da família vem ganhando repercussão nas redes sociais e nas editorias policiais e políticas de veículos de imprensa em Mato Grosso, trazendo à tona discussões sobre os limites éticos da relação entre tragédias pessoais e narrativa pública em contextos eleitorais.

Até o momento, não há posicionamento público da assessoria de Regivaldo Batista Cardoso em relação à nota divulgada pela família.

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