O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está articulando com autoridades dos Estados Unidos para que a facção criminosa Comando Vermelho (CV) seja reconhecida internacionalmente como organização terrorista. A proposta ocorre em meio à resistência do Governo Federal, que avalia possíveis impactos diplomáticos e econômicos caso a classificação seja formalizada.
O governo do Rio elaborou um relatório estratégico defendendo que o Comando Vermelho opera como rede criminosa transnacional, com atuação no tráfico internacional de drogas, armas e conexões com grupos criminosos no Paraguai e na Bolívia. O documento afirma que o CV possui capacidade operacional comparável à de organizações terroristas reconhecidas no exterior.
Se os Estados Unidos incluírem a facção na lista de organizações terroristas, os efeitos podem envolver:
- sanções financeiras contra integrantes e apoiadores;
- bloqueio internacional de bens e recursos;
- extradição facilitada de lideranças foragidas no exterior;
- cooperação direta com agências como FBI, DEA e Interpol.
Segundo o governo fluminense, isso ampliaria o alcance do combate ao crime organizado e enfraqueceria o comando da facção fora do Brasil.
O Governo Lula demonstra cautela. Técnicos da área diplomática afirmam que a classificação pode:
- expor o Brasil a retaliações no sistema financeiro global;
- abrir precedente que permita interferência externa em políticas de segurança nacional;
- alterar o enquadramento jurídico interno de facções, que hoje não são tipificadas como terrorismo pela legislação brasileira.
Para o governo federal, o tema requer avaliação estratégica mais ampla antes de qualquer apoio formal.
A articulação ocorre após operações de grande repercussão contra o crime organizado no Rio. Castro argumenta que o fortalecimento da cooperação internacional é indispensável. Já aliados do governo federal afirmam que a estratégia deve ser conduzida internamente, com reforço de inteligência policial e ações estruturadas de segurança.
A proposta segue em trâmite informal e diplomático, sem posição final anunciada pelo Governo Federal. A análise deve considerar impactos jurídicos, financeiros e de segurança.





