O governo federal caminha para fechar o ano de 2025 com um déficit primário superior a R$ 70 bilhões, segundo a nova edição do Prisma Fiscal, divulgada pelo Ministério da Fazenda. O relatório reúne expectativas de economistas e instituições financeiras sobre as contas públicas e confirma um cenário de fragilidade no equilíbrio fiscal do país.
As estimativas apontam para um déficit primário de R$ 70,6 bilhões em 2025. A receita líquida prevista é de aproximadamente R$ 2,328 trilhões, enquanto as despesas devem alcançar cerca de R$ 2,397 trilhões — diferença que mantém o governo no campo negativo.
A dívida bruta brasileira também segue em trajetória de alta e deve atingir 79,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até o fim de 2025.
O mercado financeiro projeta um déficit ainda maior para 2026, chegando a R$ 75,4 bilhões, o que indica dificuldades persistentes para o governo recuperar o equilíbrio fiscal a curto prazo.
Quando considerados os juros da dívida pública, o chamado déficit nominal pode alcançar R$ 931 bilhões em 2025, pressionando ainda mais a necessidade de ajustes estruturais.
Com menor espaço fiscal no âmbito federal, analistas apontam que estados e municípios podem enfrentar limitações em repasses, investimentos e novos programas. Governos locais — especialmente de regiões que dependem de transferências federais — podem sentir reflexos em áreas como infraestrutura, políticas sociais e saúde.
Em estados como Mato Grosso, onde o agronegócio é motor econômico, especialistas avaliam que programas de crédito rural, incentivos e investimentos logísticos podem sofrer atrasos ou cortes, dependendo do comportamento das contas federais.
A continuidade de déficits elevados e da trajetória ascendente da dívida preocupa setores produtivos e instituições financeiras, que monitoram riscos de aumento da carga tributária, redução de investimentos públicos e limitações na oferta de serviços essenciais.
Mesmo com a previsão de desaceleração no ritmo de crescimento das despesas, o desafio do governo permanece: aumentar receitas e controlar gastos sem comprometer programas estratégicos.





