A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu por suposta tentativa de interferir no julgamento que condenou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos e 3 meses de prisão. A decisão foi tomada após análise de indícios apresentados pelo relator, ministro Alexandre de Moraes.
O voto do relator aponta “indícios robustos” de que Eduardo Bolsonaro teria atuado nos Estados Unidos com o objetivo de pressionar o STF por meio de possíveis sanções econômicas bilionárias que poderiam ser adotadas pelo governo norte-americano. Segundo os autos, essa movimentação buscaria influenciar o desfecho do julgamento do ex-presidente.
Mensagens retiradas do celular de Jair Bolsonaro, conforme citado na decisão, indicam que Eduardo orientava discursos do pai e buscava controlar o acesso de outros políticos brasileiros a autoridades americanas, concentrando esse contato apenas em si mesmo e em aliados próximos.
Após a decisão da 1ª Turma, Eduardo Bolsonaro publicou vídeo nas redes sociais classificando a medida como “fajuta” e acusando o ministro Alexandre de Moraes de “abuso de poder” e de agir de forma “inconstitucional” através do que chamou de “extraterritorialidade”.
O parlamentar nega qualquer interferência e afirma que o processo é motivado por perseguição política.
Com a aceitação da denúncia, Eduardo Bolsonaro passa à condição de réu e o caso segue para a fase de instrução, que inclui:
- apresentação de defesa prévia;
- coleta de provas;
- oitiva de testemunhas;
- interrogatório do acusado.
A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e agora seguirá o rito tradicional das ações penais no Supremo.
A decisão amplia o desgaste do núcleo familiar de Jair Bolsonaro, que já enfrenta desdobramentos jurídicos e políticos decorrentes da condenação do ex-presidente. O caso também tende a repercutir no Congresso Nacional e no cenário eleitoral de 2026, especialmente dentro do PL, partido ao qual Eduardo é filiado.





