A Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso começou os trabalhos sob clima de tensão e com risco de esvaziamento. Na reunião realizada na quarta-feira, 18 de março, o presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD), criticou a ausência de integrantes e avisou que poderá acionar o regimento interno para substituir membros que não comparecerem às reuniões.
A declaração mais dura ocorreu durante a cobrança pública por maior comprometimento dos parlamentares. Segundo Wilson Santos, não há justificativa para a ausência de quem assumiu responsabilidade dentro da comissão. “Quem não quiser participar, dê espaço para quem quer”, afirmou o deputado, conforme a reportagem.
Mesmo com o esvaziamento parcial, a CPI formalizou pedidos de documentos à Procuradoria-Geral do Estado, à Controladoria-Geral do Estado, à Polícia Civil e à Polícia Federal. A comissão quer acesso integral a inquéritos, auditorias e pareceres jurídicos relacionados a processos licitatórios da Secretaria de Estado de Saúde.
O principal foco da apuração é a Operação Espelho, investigação da Polícia Civil que analisa um suposto esquema com potencial prejuízo de até R$ 35 milhões à saúde pública de Mato Grosso. Segundo a matéria, os contratos investigados foram firmados entre 2019 e 2023 no âmbito da Secretaria de Estado de Saúde. Com a chegada da documentação, a expectativa é definir os próximos depoimentos e possíveis convocações.
Entre os ausentes na reunião estiveram os deputados Dilmar Dal Bosco (União) e Beto Dois a Um (PSB), este último relator da CPI. A ausência do relator foi um dos pontos mais criticados pelo presidente da comissão. Já a deputada Janaina Riva (MDB) comunicou previamente que não participaria e foi substituída por Eduardo Botelho (União), como prevê o regimento. O vice-presidente Chico Guarnieri (PRD) também não participou, por estar licenciado, com suplente em exercício.
Wilson Santos afirmou ainda que poderá aplicar o artigo 381 do regimento interno da ALMT, que autoriza a substituição de membros que faltarem a duas reuniões consecutivas ou cinco alternadas. Um novo ofício deve ser enviado aos integrantes reforçando as regras. A próxima reunião, marcada para 26 de março, deve ser decisiva para a manutenção ou troca de nomes na comissão.






