A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirmou que “traficantes são vítimas dos usuários também”, repercutiu de forma negativa em todo o país. O comentário, feito durante viagem à Indonésia, foi interpretado por autoridades e famílias de vítimas da violência como um desrespeito às pessoas que sofrem diariamente com as ações do tráfico de drogas no Brasil.
Durante o discurso, Lula afirmou que o combate às drogas deveria considerar a responsabilidade dos usuários, dizendo que há “uma troca de gente que vende porque tem quem compra, e de gente que compra porque tem quem vende”. A fala relativizou a posição dos traficantes, tratando-os também como “vítimas do sistema”.
“Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”, disse o presidente.
A fala provocou indignação entre parlamentares, forças de segurança e familiares de vítimas do crime organizado. Para críticos, a declaração ignora a realidade brutal das comunidades dominadas por facções, onde inocentes são mortos, ameaçados e forçados a conviver sob o domínio do tráfico.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que “vítima é o povo brasileiro, refém da violência e da impunidade”. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a fala como um “insulto às famílias destruídas pelo tráfico”, afirmando que o governo “inverte os papéis entre criminosos e cidadãos de bem”.
Especialistas em segurança pública consideram a declaração inadequada para um chefe de Estado, especialmente em um país onde o narcotráfico é responsável por milhares de mortes todos os anos.
Para eles, o discurso minimiza o sofrimento das vítimas, prejudica o trabalho das polícias e confunde o debate sobre políticas públicas eficazes de combate às drogas.
“Não se pode tratar o traficante como vítima. Ele é o agente ativo da destruição de comunidades, da morte de jovens e da desestruturação de famílias”, destacou um delegado aposentado ouvido pela reportagem.
Nos últimos dez anos, o Brasil registrou mais de 450 mil homicídios ligados direta ou indiretamente ao tráfico, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Além das mortes, o tráfico alimenta outros crimes, como corrupção, sequestros, violência doméstica e evasão escolar.
Para familiares de vítimas e representantes de comunidades afetadas, a fala de Lula representa uma falta de empatia e compreensão da dor das pessoas que vivem sob o terror do tráfico.





