Uma reportagem publicada pelo UOL nesta quinta-feira (22) revela que familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli tiveram participação societária no resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). O empreendimento ganhou notoriedade após funcionários se referirem ao local como o “resort do Toffoli”, além de contar com estrutura associada a jogos e cassino.
Documentos analisados indicam que a empresa Maridt Participações, ligada a irmãos do ministro, chegou a deter cerca de um terço das cotas do resort. A empresa estava registrada em um endereço residencial em Marília (SP), pertencente a José Eugênio Dias Toffoli, irmão do magistrado.
A esposa dele, Cássia Pires Toffoli, afirmou que o marido nunca foi sócio do resort e disse desconhecer que o imóvel residencial constasse como sede da empresa.
Em 2021, parte da participação dos familiares foi vendida a um fundo ligado ao empresário Fabiano Zettel, administrado pela Reag. Já em 2024 e 2025, as cotas remanescentes foram negociadas por mais de R$ 3 milhões com a PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já atuou como defensor da J&F, grupo dos irmãos Batista.
A reportagem também aponta que Dias Toffoli é relator de inquérito envolvendo o Banco Master, instituição ligada a empresários citados em transações relacionadas ao resort. O caso chegou ao STF após solicitação das defesas dos investigados.
O UOL relata ainda que o ministro viajou em aeronave particular ao lado de um advogado ligado a investigados, mas Toffoli declarou que não houve discussão sobre processos judiciais durante o voo.
O ministro foi homenageado como cidadão honorário de Ribeirão Claro em 2017, em reconhecimento à sua atuação na instalação do resort no município. Em 2019, Toffoli utilizou avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para visitar a cidade, onde participou da inauguração de um fórum eleitoral que leva o nome de seu pai.
Na mesma viagem, o ministro se hospedou no resort Tayayá, segundo a reportagem.
A revelação gerou repercussão política e institucional, reacendendo debates sobre ética, conflitos de interesse e transparência no Judiciário. De acordo com a matéria, o presidente do STF, Edson Fachin, tem defendido respostas institucionais mais claras a questionamentos públicos envolvendo a Corte.
O caso amplia a discussão sobre governança, relação entre autoridades públicas e interesses privados, além de reforçar o debate sobre conduta e integridade em instâncias superiores do Judiciário brasileiro.





