O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom conciliador ao comentar a recente megaoperação policial no Rio de Janeiro, considerada a mais letal da história do estado. A ação deixou mais de 100 mortos, entre suspeitos e agentes de segurança, e provocou forte repercussão política.
A operação foi conduzida pelo governo do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho e mobilizou cerca de 2,5 mil agentes. O objetivo era desarticular a estrutura de comando da facção nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha.
O governador Cláudio Castro classificou a ação como “a maior já realizada” e afirmou que o governo federal não prestou apoio logístico suficiente. O Palácio do Planalto, por sua vez, informou que não recebeu pedido formal de cooperação e destacou que todas as demandas anteriores foram atendidas.
Durante fala pública, Lula evitou críticas diretas ao governador e defendeu um “trabalho coordenado” entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado. O presidente não mencionou os policiais mortos, o que gerou desconforto entre corporações e aliados.
O discurso reforçou a estratégia do governo federal de priorizar cooperação institucional e a proposta de criação da PEC da Segurança Pública, que busca integrar o sistema policial brasileiro.
A postura do presidente foi interpretada como tentativa de evitar atritos com o governo fluminense e preservar o diálogo federativo. No entanto, a ausência de menção às mortes de agentes provocou críticas de setores da segurança pública e da oposição, que cobraram um posicionamento mais enfático.
O episódio reacende o debate sobre a letalidade das operações policiais e o papel da União na coordenação da segurança pública. Também evidencia o desafio político do governo em equilibrar discursos de direitos humanos com apoio às forças de segurança.
Analistas avaliam que o silêncio de Lula sobre as mortes foi uma decisão estratégica para evitar polarização e preservar alianças institucionais, mas que pode impactar sua imagem junto à base policial.





