Lula sanciona lei que proíbe linguagem neutra em órgãos públicos

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que institui a Política Nacional de Linguagem Simples e proíbe o uso de linguagem neutra — como “todes”, “todxs” e pronomes como “elu/delu” — em órgãos públicos federais. A norma vale para ministérios, autarquias, fundações, empresas públicas e para toda comunicação oficial do governo.

O texto determina que documentos oficiais, formulários, comunicados, portarias e atos administrativos devem utilizar linguagem clara, objetiva e acessível, seguindo as regras gramaticais da língua portuguesa.
Com isso, qualquer forma de adaptação linguística que altere flexões de gênero para padrões neutros está proibida no âmbito da administração pública federal.

A lei não interfere no uso cotidiano da linguagem pela população, mas regula exclusivamente a comunicação institucional do Estado.

Segundo o governo federal, a Política Nacional de Linguagem Simples busca facilitar o entendimento dos textos públicos, reduzir ambiguidades e melhorar o acesso da população a informações oficiais.

A medida segue tendência de outros países que adotaram normas de redação administrativa padronizada para ampliar a compreensão de documentos governamentais.

A sanção reacende o debate nacional sobre linguagem neutra, tema que divide especialistas, educadores e grupos acadêmicos.

Críticos afirmam que a lei representa retrocesso na inclusão de pessoas não binárias. Já defensores argumentam que a padronização é necessária para garantir clareza e segurança jurídica nos documentos públicos.

Com a nova lei, órgãos públicos terão prazo para revisar documentos e ajustar a comunicação institucional, incluindo:

  • sites oficiais
  • formulários digitais e físicos
  • portarias, ofícios e despachos
  • campanhas e peças informativas
  • comunicados internos e externos

A norma não prevê punição ao cidadão, apenas ao uso institucional por agentes públicos.

A Casa Civil deverá publicar regulamentação complementar com orientações técnicas para a adoção da linguagem simples, incluindo manuais, treinamento e modelos padronizados.

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