Mato Grosso lidera violência agrária no Centro-Oeste, aponta relatório da CPT

Reprodução

Mato Grosso foi apontado como o estado mais violento do Centro-Oeste em conflitos agrários, segundo o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2024”, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). O levantamento mostra um aumento expressivo nos casos de violência, invasões, incêndios e despejos forçados em diferentes regiões do estado.

Os dados revelam que o número de ocorrências de conflitos no campo aumentou 137% em relação a 2023. Já o total de pessoas envolvidas nesses episódios cresceu 518%, colocando Mato Grosso entre os estados com maior incidência de violência agrária no país.

As regiões Nordeste (40%) e Norte (34,5%) concentram a maior parte das ocorrências, seguidas pelo Sudoeste e Sudeste, que também registraram alta de 150% nos casos.

O relatório aponta que 44% dos conflitos envolvem fazendeiros, 15% empresários e 8% ações do governo federal.
Entre as principais vítimas estão indígenas (29%), posseiros (25%), quilombolas (13%) e trabalhadores sem-terra (11%).

A CPT também destaca um aumento expressivo de 3.004% nos incêndios em áreas de conflito e 661% na destruição de pertences. Mato Grosso foi responsável por 25% de todos os incêndios registrados no país em disputas por terra.

O relatório ainda mostra aumento em várias categorias de violência:

  • Desmatamento ilegal: +229%
  • Despejos forçados: +223%
  • Invasões: +200%
  • Agressões a comunidades tradicionais: +1.717% entre quilombolas, +854% entre posseiros e +357% entre indígenas.

Para a Comissão Pastoral da Terra, os números reforçam a fragilidade da presença estatal nas zonas rurais e a necessidade de políticas públicas de proteção territorial e mediação de conflitos.
Organizações sociais e ambientais também cobram ações mais firmes de fiscalização e regularização fundiária, especialmente nas áreas de fronteira agrícola.

“Os dados mostram que o campo brasileiro continua sendo palco de violência e de violações de direitos humanos. A ausência do Estado e a impunidade alimentam o ciclo de conflitos”, destacou a CPT.

Compartilhe :

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *