Moradora de Rondonópolis tem conta bloqueada por engano durante operação contra facção criminosa

Foto: GCOM-Prefeitura de Rondonópolis

Uma moradora de Rondonópolis (MT) teve sua conta bancária bloqueada por engano durante uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso contra uma facção criminosa envolvida com o tráfico de drogas. O bloqueio, determinado pela Justiça a pedido da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF), fazia parte de uma medida cautelar ampla que atingiu diversas contas suspeitas.

A mulher, identificada pelas iniciais D.G.S., não figurava como investigada ou denunciada no processo, mas mesmo assim teve R$ 14,48 retidos de suas contas bancárias — valores divididos entre R$ 1,27 e R$ 13,21. O bloqueio foi realizado por meio do sistema SisbaJud, ferramenta usada pelo Judiciário para rastrear e reter valores em operações financeiras ligadas a investigações.

Após análise do caso, o Ministério Público do Estado (MPMT) reconheceu a ausência de provas que ligassem a moradora à facção e pediu o desbloqueio imediato dos valores. O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, acatou o pedido e determinou que a mulher informe seus dados bancários em até cinco dias para receber o valor de volta.

O magistrado destacou que manter o bloqueio seria uma violação ao princípio da razoabilidade, uma vez que não havia qualquer indício de envolvimento da mulher nas investigações.

O episódio levanta debate sobre os efeitos colaterais de medidas judiciais em operações de grande escala, que podem atingir pessoas sem vínculo com os alvos principais. Especialistas reforçam que o caso evidencia a importância de filtros mais rigorosos na execução de ordens de bloqueio e da atuação célere do sistema de Justiça na correção de falhas.

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