O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogou a autorização que permitia a visita de Darren Beattie, assessor do governo Donald Trump para temas relacionados ao Brasil, ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada na quinta-feira, 12 de março, após reavaliação do pedido apresentado pela defesa de Bolsonaro.
Na decisão, Moraes entendeu que a visita não estava inserida no contexto diplomático que justificou a entrada de Beattie no Brasil. Segundo o ministro, o encontro não foi comunicado previamente às autoridades diplomáticas brasileiras e também não constava da agenda oficial do representante americano no país.
O caso ganhou dimensão política após o Itamaraty manifestar preocupação com a possibilidade de o encontro ser interpretado como interferência em assuntos internos do Brasil. De acordo com a Reuters, o chanceler Mauro Vieira afirmou que Darren Beattie não tinha reuniões marcadas com autoridades brasileiras e alertou para o impacto diplomático da visita.
O pedido para o encontro havia sido protocolado no início da semana pela defesa de Bolsonaro. Os advogados alegaram que o assessor americano permaneceria poucos dias no Brasil e poderia visitar o ex-presidente na prisão entre os dias 16 e 17 de março.
Ao rever a decisão anterior, Moraes reforçou que a visita extrapolava os limites do objetivo diplomático informado para a viagem. A Agência Brasil destacou que o ministro chegou a mencionar a possibilidade de reavaliação do visto, diante da ausência de comunicação prévia às autoridades brasileiras.
A medida amplia a tensão em torno do caso Bolsonaro no plano internacional, ao envolver diretamente um integrante do governo Trump e a posição oficial da diplomacia brasileira sobre a presença dele no país. Essa leitura decorre da própria justificativa do STF e da reação do Itamaraty.






