O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, afirmou que a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital fluminense, representou o maior golpe já desferido contra o Comando Vermelho (CV) em toda a história da facção. A ação, considerada uma das maiores já executadas no estado, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar.
A ofensiva teve como foco a alta cúpula da facção, incluindo lideranças que atuavam em outros estados e coordenavam o tráfico de drogas a partir do Rio de Janeiro. Segundo o balanço preliminar divulgado pelas autoridades, foram apreendidas 118 armas de fogo, entre fuzis e pistolas, além de munições, veículos e grande quantidade de drogas.
Durante a operação, houve intensos confrontos armados que resultaram em mais de 100 mortes, número que varia entre 119 (segundo o governo estadual) e 130, conforme estimativa da Defensoria Pública.
Felipe Curi declarou que “nenhuma polícia do mundo faz o que as polícias do Rio fazem”, ressaltando a complexidade e o risco das ações realizadas. Para ele, a operação foi “o maior baque que o Comando Vermelho já tomou em toda a sua história”, enfraquecendo significativamente a estrutura do crime organizado no estado.
O secretário também destacou que os agentes enfrentaram “uma verdadeira guerra” e que o objetivo principal era atingir a base financeira e operacional da facção, e não apenas realizar prisões pontuais.
A megaoperação é apontada como um divisor de águas no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, mas também gerou debates sobre letalidade policial e direitos humanos, devido ao alto número de mortes registradas.
As autoridades estaduais afirmam que a ação foi planejada com base em inteligência e que novas etapas devem ocorrer para impedir a reorganização da facção.
Paralelamente, órgãos de controle e a Defensoria Pública acompanham as investigações sobre as circunstâncias das mortes, buscando esclarecer se todos os confrontos ocorreram dentro da legalidade.
A Secretaria de Polícia Civil avalia que o impacto da operação deve reduzir a capacidade operacional do Comando Vermelho nos próximos meses, principalmente nas regiões de fronteira e no abastecimento de armas.





