Pobreza pode afetar desenvolvimento motor de bebês a partir dos 6 meses, aponta estudo

Foto: © Marcello Casal Jr/Agência Brasi

Um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) indica que bebês expostos à pobreza podem apresentar atrasos no desenvolvimento motor já a partir dos 6 meses de vida. A pesquisa acompanhou 88 bebês no interior de São Paulo e relacionou a variedade de movimentos das crianças às condições de vida.

De acordo com os pesquisadores, bebês em situação de maior vulnerabilidade demoraram mais para realizar marcos como agarrar objetos, virar e sentar. O resultado foi publicado na revista científica Acta Psychologica no início de fevereiro, com financiamento da Fapesp.

A autora citada na reportagem afirma que os atrasos podem acender um alerta porque pesquisas anteriores apontam que dificuldades no desenvolvimento infantil podem refletir no desempenho escolar. Ela ressalta, porém, que são necessários mais estudos para comprovar relações diretas com condições específicas.

Ao mesmo tempo, o estudo indica que a reversão dos atrasos pode ocorrer em pouco tempo quando há estímulos adequados: aos 8 meses, bebês avaliados já não tinham problemas significativos. Entre as práticas mencionadas estão colocar a criança de barriga para baixo sob supervisão, conversar e cantar, incentivar a leitura e usar brinquedos simples, inclusive improvisados, para favorecer a exploração de movimentos.

Nas visitas às famílias, a pesquisa observou que, em casas mais pobres, os bebês tendiam a ficar mais tempo contidos em carrinhos ou com menos oportunidades de explorar o ambiente, muitas vezes por falta de espaço. Também foram citados fatores associados a melhores resultados, como a presença de pai ou mãe na mesma residência e maior escolaridade materna.

A reportagem ainda menciona dados do Unicef segundo os quais cerca de 400 milhões de crianças vivem na pobreza no mundo, cenário que impõe privações com impacto em saúde, desenvolvimento e bem-estar.

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