A Receita Federal exonerou nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, um auditor fiscal que exercia função de chefia na Delegacia do órgão em Presidente Prudente (SP). A dispensa foi publicada no Diário Oficial da União e, segundo a reportagem, não trouxe justificativa formal.
O servidor é um dos alvos de uma operação da Polícia Federal que investiga acessos indevidos a dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de familiares. A apuração foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e envolve suspeitas de consultas irregulares a informações protegidas por sigilo fiscal; ao todo, quatro servidores são investigados.
De acordo com informações atribuídas ao O Estado de S. Paulo e repercutidas na matéria, o auditor teria acessado dados relacionados a uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes. Em depoimento, ele afirmou que a consulta teria ocorrido por engano, alegando confusão de identidade.
Apesar da explicação apresentada, o auditor foi alvo de mandado de busca e apreensão e passou a cumprir medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento das funções públicas e entrega do passaporte.
Em nota, a defesa negou irregularidades, afirmou que o servidor tem “reputação ilibada” e que nunca respondeu a processo disciplinar ao longo da carreira. As advogadas também disseram que ainda não tiveram acesso integral aos autos e, por isso, não comentariam detalhes do caso.
A operação provocou reação de entidades da categoria. A Unafisco Nacional declarou que auditores não podem ser transformados em “bodes expiatórios” em meio a crises institucionais e criticou a adoção de medidas cautelares severas antes da conclusão das apurações.







