O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 4 votos a 1, reabrir a investigação contra o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, por possível envolvimento nos atos golpistas ocorridos após as eleições de 2022. A decisão foi tomada pela Primeira Turma da Corte nesta terça-feira (21).
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, argumentou que a condenação de Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, ex-presidente do instituto contratado pelo PL para elaborar um laudo que questionava a segurança das urnas eletrônicas, constitui um “fato novo” que justifica a retomada das apurações.
“Há elementos recentes que apontam para possível ligação direta entre a cúpula partidária e a produção de material falso destinado a desacreditar o sistema eleitoral”, destacou Moraes.
O ministro Luiz Fux foi o único a votar contra a reabertura, defendendo que o caso não apresenta novos fundamentos que justifiquem a retomada do inquérito.
Com a decisão, o processo será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá avaliar se apresenta denúncia formal contra Valdemar por organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Valdemar havia sido indiciado pela Polícia Federal em 2024, mas ainda não havia sido denunciado. O novo avanço das investigações tem como base documentos e depoimentos colhidos no julgamento do “Núcleo 4” da trama golpista, que tratou da disseminação de desinformação e ataques ao sistema eleitoral.
A decisão amplia a pressão sobre o PL e reacende o debate sobre o papel de lideranças partidárias nas manifestações antidemocráticas. A reabertura ocorre em meio à sequência de julgamentos no STF envolvendo diferentes núcleos ligados à tentativa de golpe.





