TCU vai auditar R$ 22 bilhões em emendas Pix repassadas a Estados e municípios

Foto: Reprodução

Brasília — O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um Plano Especial de Auditoria para fiscalizar R$ 22 bilhões em transferências especiais, conhecidas como emendas Pix, repassadas a Estados, Distrito Federal e mais de 5 mil municípios entre 2020 e 2024.

A iniciativa atende a uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que cobrou maior transparência, controle e rastreabilidade na aplicação desses recursos federais.

As emendas Pix foram criadas em 2020 e permitem a transferência direta de recursos para entes federativos, sem necessidade de convênio ou detalhamento prévio do uso, o que gerou questionamentos sobre fiscalização, destinação e risco de mau uso.

Desde a criação do modelo, foram realizadas mais de 4,3 mil transferências, alcançando praticamente todo o território nacional.

O plano do TCU prevê auditorias de conformidade em 85 objetos, distribuídos em cinco grandes áreas:

  • Compras de materiais e suprimentos médico-hospitalares
  • Aquisição de outros bens
  • Contratações e locações
  • Eventos culturais e esportivos
  • Obras públicas

As auditorias em obras serão realizadas presencialmente, enquanto as demais ocorrerão de forma remota, ampliando o alcance da fiscalização.

O TCU pretende verificar:

  • Se os recursos foram aplicados conforme a finalidade pública
  • Se houve irregularidades, sobrepreço ou desvios
  • O nível de transparência na execução dos repasses
  • A responsabilização de gestores em caso de falhas ou ilícitos

Cada auditoria terá processo próprio, com relatoria definida por sorteio, seguindo os trâmites regulares da Corte de Contas.

O plano estabelece os seguintes prazos:

  • Relatórios individuais: até 15 de maio
  • Relatório consolidado do plano: até 31 de maio
  • Encaminhamento final ao STF: até 30 de junho

A auditoria deve ampliar o debate nacional sobre a transparência das emendas parlamentares, especialmente em um momento de crescente pressão por controle do orçamento público e uso responsável dos recursos federais.

O resultado pode gerar recomendações, sanções, devolução de valores e mudanças nas regras das emendas Pix, caso sejam identificadas irregularidades.

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