Com terminal em Santo Antônio, Cuiabá teme perder arrecadação e benefícios ligados à ferrovia

Foto: Reprodução

A possibilidade de o terminal da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo ficar em área que passou a integrar o município de Santo Antônio de Leverger abriu um impasse político e econômico na região metropolitana. O local previsto para a instalação do empreendimento não mudou, mas a redefinição de limites territoriais pode deslocar para Leverger a arrecadação de tributos e parte dos efeitos econômicos ligados à operação.

A discussão ganhou força após a promulgação da Lei nº 13.227/2026, que alterou a demarcação e fez com que a área do futuro terminal deixasse de pertencer a Cuiabá. Diante disso, representantes do setor produtivo e lideranças ligadas ao Fórum Pró-Ferrovia alertaram para o impacto direto na receita da capital, que deixaria de concentrar impostos e contrapartidas associadas ao empreendimento.

O tema foi debatido em reunião realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso na segunda-feira (2). No encontro, foi defendido que a capital deve manter a condição de sede do terminal por ser o município originalmente indicado no projeto, além de ser o maior polo consumidor e logístico do Estado. Também foi citada a experiência de cidades que abrigam terminais ferroviários, com aumento de empregos, atração de empresas e ampliação de arrecadação.

Do lado da Prefeitura de Cuiabá, a avaliação é de que não há “transferência” do terminal, mas sim risco de perda de receita em razão da mudança territorial. A administração municipal sustenta que o projeto segue previsto para a área originalmente definida como distrito industrial da capital, e que o impasse é principalmente sobre efeitos fiscais e econômicos.

Entre as alternativas discutidas estão a revogação da lei que alterou a divisa e a construção de uma solução de compensação para Santo Antônio de Leverger, incluindo a proposta de criação de um distrito industrial no município. Outro ponto levantado no debate é a disputa por incentivos fiscais na região, com preocupação de que benefícios oferecidos por municípios vizinhos influenciem investimentos no entorno do terminal.

O caso deve seguir em negociação política, com pressão de setores empresariais e do poder público para definir se haverá revisão legislativa, acordo de compensações ou manutenção do novo enquadramento territorial com impactos na arrecadação.

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