TJ revoga prisão de empresário acusado de ajudar facção criminosa em MT por excesso de prazo

Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) revogou a prisão preventiva do empresário Márcio de Oliveira Marques, investigado por suposta participação em lavagem de dinheiro ligada a facções criminosas. A decisão, proferida pela 2ª Câmara Criminal, reconheceu que houve excesso de prazo na tramitação do processo, tornando a custódia ilegal.

Segundo o acórdão, a fase de instrução do processo foi concluída em outubro de 2023, mas o juiz responsável em Cáceres não proferiu sentença, mesmo após determinação anterior para que julgasse o caso. Passados mais de dois anos sem decisão, o relator, desembargador Paulo Sérgio Carreira de Souza, considerou a demora “injustificável” e incompatível com o princípio da duração razoável do processo.

O magistrado destacou que a prisão preventiva não pode ser usada como substituta de sentença atrasada e que manter o empresário preso por tempo indefinido constituía constrangimento ilegal.

Com a revogação da prisão, Márcio passa a cumprir medidas cautelares, entre elas:

  • monitoramento por tornozeleira eletrônica;
  • comparecimento periódico em juízo;
  • proibição de contato com outros investigados;
  • recolhimento domiciliar noturno e aos finais de semana;
  • proibição de deixar a comarca;
  • impedimento de acessar empresas investigadas.

Márcio foi alvo da Operação Jumbo, que apura aquisição de propriedades rurais e mineradoras supostamente usadas como fachada para atividade ilegal e lavagem de capitais. A denúncia relata que ele teria atuado em parceria com um investigado apontado como liderança de facção criminosa em Cáceres.

Mesmo com a soltura do empresário, os demais acusados no esquema continuam presos.

A decisão reacende a discussão sobre o uso prolongado da prisão preventiva e os riscos de violação de garantias fundamentais. Juristas apontam que o caso exemplifica a necessidade de maior celeridade no Judiciário, especialmente em processos complexos envolvendo organizações criminosas.

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