A luta por respostas e dignidade marca a história da família de Antônio Carlos Santos, trabalhador mato-grossense que desapareceu na Amazônia há mais de 20 anos. Recrutado em Tangará da Serra para atuar em uma cooperativa no Pará, Antônio sumiu em circunstâncias nunca esclarecidas. Desde então, sua esposa Olivete e a filha, Hyorrana Santos, travam uma batalha judicial para provar o vínculo de trabalho e responsabilizar os empregadores.
Na época, a família recebeu diferentes versões sobre o sumiço: de que Antônio teria fugido com outra mulher ou até roubado um trator. Nenhuma delas foi confirmada. O caso se soma a uma série de relatos de desaparecimentos semelhantes na região, onde dezenas de trabalhadores, contratados por intermediários conhecidos como “gatos”, simplesmente não voltaram para casa.
O primeiro pedido de pensão por morte prescreveu devido à demora no processo. Anos depois, em 2013, a família ingressou com ação trabalhista. Em 2021, a Justiça reconheceu a morte presumida de Antônio e fixou a data de falecimento no dia de seu desaparecimento.
Em julho de 2025, o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região condenou o fazendeiro Wilson Rotta a pagar R$ 150 mil em indenização à filha. O caso agora aguarda julgamento final no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Hyorrana afirma que já recebeu propostas de acordo para encerrar a ação, mas recusou.
“Não é só sobre dinheiro. É sobre limpar o nome do meu pai e garantir que a dignidade dele seja reconhecida”, declarou.
Segundo o Ministério Público, o caso de Antônio se soma a mais de uma centena de desaparecimentos semelhantes registrados na região amazônica, revelando um padrão de exploração de trabalhadores rurais em condições precárias e sem proteção.






