União Europeia aprova acordo comercial com Mercosul após 25 anos de negociações

Foto: CAMEX

A União Europeia aprovou oficialmente o acordo comercial com o Mercosul após mais de 25 anos de negociações, destravando um dos maiores tratados de livre comércio do mundo em termos de população e volume econômico.

O acordo envolve os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — e os 27 países-membros da União Europeia, criando uma área de integração comercial que abrange cerca de 780 milhões de pessoas.

As negociações entre os dois blocos tiveram início no ano 2000 e enfrentaram sucessivos entraves ao longo das décadas, principalmente por questões ambientais, agrícolas e industriais, além de resistências internas em países europeus preocupados com a concorrência de produtos agropecuários sul-americanos.

A aprovação representa um avanço significativo na política comercial europeia e sul-americana, em um momento de reconfiguração das cadeias globais de comércio e busca por novos mercados.

Com o tratado, haverá redução ou eliminação gradual de tarifas de importação sobre uma ampla gama de produtos. Para o Mercosul, o acordo abre espaço para maior exportação de commodities agrícolas, como carnes, grãos e produtos do agronegócio, além de facilitar o acesso de bens industrializados ao mercado europeu.

Já a União Europeia tende a ampliar a venda de produtos industrializados, automóveis, máquinas, equipamentos e serviços, fortalecendo a presença de empresas europeias na América do Sul.

Um dos pontos centrais para a aprovação final foi a inclusão de cláusulas ambientais mais rígidas, com compromissos relacionados à preservação ambiental, combate ao desmatamento e cumprimento do Acordo de Paris. Essas exigências foram decisivas para superar resistências de países europeus, especialmente França e Áustria.

Apesar da aprovação no âmbito europeu, o acordo ainda precisa passar por processos de ratificação interna nos parlamentos nacionais dos países envolvidos, tanto na União Europeia quanto no Mercosul, antes de entrar plenamente em vigor.

Especialistas avaliam que, se implementado integralmente, o tratado poderá reposicionar o Mercosul no comércio internacional, reduzir barreiras históricas e estimular investimentos estrangeiros na região.

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