Vereadores de Cuiabá poderão receber dinheiro por férias não gozadas

Foto: Reprodução

Os vereadores da Câmara Municipal de Cuiabá poderão receber indenização em dinheiro pelas férias que não forem usufruídas, inclusive em casos de término antecipado de mandato, renúncia ou não reeleição. A mudança passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026, conforme Lei nº 7.442, sancionada pelo prefeito Abilio Brunini (PL) e publicada em edição suplementar da Gazeta Municipal nessa segunda-feira (5).

Pela nova legislação, o pagamento da indenização será feito de forma proporcional ao tempo efetivamente trabalhado pelo parlamentar quando ele deixar o cargo antes de completar o período aquisitivo de férias. A norma também prevê que, em situações de “necessidade imperiosa do serviço parlamentar”, as férias poderão ser convertidas em dinheiro — total ou parcialmente — permitindo o recebimento de um terço, dois terços ou até a totalidade dos 30 dias de descanso.

O texto da lei ressalta que essa indenização tem caráter compensatório, com a justificativa de ressarcir o vereador pela dedicação exclusiva ao mandato. O pagamento, no entanto, fica condicionado à solicitação formal do vereador e à disponibilidade orçamentária e financeira da Câmara Municipal.

A nova regra não se estende aos servidores efetivos do Legislativo. Esses profissionais continuam sujeitos às normas próprias de férias e indenizações previstas na legislação específica do funcionalismo público.

No mesmo pacote de alterações, outra lei — a Lei nº 7.443 — amplia a estrutura administrativa e os benefícios no Legislativo municipal. Entre as principais mudanças estão:

  • Autorização para que cada gabinete parlamentar conte com até 20 servidores comissionados;
  • Instituição de auxílio-alimentação mensal de R$ 1.000 para servidores comissionados, pago junto à folha salarial;
  • Redefinição de vencimentos de cargos estratégicos: secretarias e procurador-geral passam a receber R$ 16 mil;
  • Remunerações de cargos de natureza especial variando de R$ 3,6 mil a R$ 8 mil;
  • Cargos de apoio institucional passam a receber entre R$ 2,4 mil e R$ 4,2 mil;
  • Cargos vinculados à Mesa Diretora terão salários de R$ 3 mil a R$ 14 mil;
  • Assessoramento parlamentar com vencimentos entre R$ 1,900 e R$ 14 mil, conforme função e simbologia do cargo.

A aprovação de medidas que permitem a conversão de férias em dinheiro para vereadores tem provocado debate público em Cuiabá e em outras cidades onde propostas semelhantes foram apresentadas. Críticos apontam que o benefício pode representar aumento de despesas para o Legislativo municipal em um momento de cobrança por transparência e austeridade nos gastos públicos, enquanto defensores argumentam que a compensação reflete a natureza contínua das atividades parlamentares.

A lei entra em vigor junto às demais regras de organização administrativa da Câmara de Cuiabá e terá seus efeitos avaliados ao longo do ano de 2026, incluindo o impacto orçamentário decorrente da concessão de indenização por férias não gozadas.

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