Violência avança e coloca adolescentes cada vez mais cedo no crime em Mato Grosso

Foto: Reprodução

Mato Grosso – A violência crescente em Mato Grosso tem exposto um cenário preocupante: adolescentes estão cada vez mais cedo envolvidos em crimes, seja como vítimas ou autores de atos infracionais. O que antes aparecia como episódios isolados passou a se repetir em diferentes regiões do estado, incluindo bairros periféricos e cidades do interior.

Levantamento citado por forças de segurança aponta que, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, uma sequência de ocorrências graves envolveu crianças e adolescentes, evidenciando o avanço do aliciamento por facções criminosas, a banalização da violência e a ausência de políticas públicas eficazes de prevenção.

A reportagem reúne ocorrências registradas em várias cidades do estado:

  • Em Cuiabá, uma adolescente de 16 anos agrediu a própria mãe após chegar em casa alcoolizada;
  • Em Sinop, adolescentes de 15 anos foram mortos em crimes com características de execução;
  • Em Pontes e Lacerda, dois adolescentes, de 14 e 16 anos, morreram em ataque armado;
  • Em Peixoto de Azevedo, um jovem de 17 anos foi morto em frente à própria residência;
  • Em Cáceres, um adolescente morreu após discussão em um campo de futebol que terminou em disparos;
  • Em Rondonópolis, um adolescente de 14 anos foi apreendido após roubar uma motocicleta usando um simulacro de arma de fogo para pagar uma dívida estimada em R$ 5 mil.

De acordo com o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, enquanto o Brasil registrou redução de 56,2% no número de adolescentes internados por atos infracionais entre 2015 e 2023, Mato Grosso seguiu na contramão, com aumento de 30,6% no mesmo período.

Atualmente, o estado contabiliza 147 adolescentes privados de liberdade, a maioria com idade entre 16 e 17 anos. Do total, 82,3% são negros ou pardos, o que evidencia recortes sociais e raciais no avanço da criminalidade juvenil.

Autoridades de segurança avaliam que o crescimento da violência juvenil está diretamente ligado ao aliciamento por facções criminosas, que utilizam adolescentes para práticas ilícitas, explorando a vulnerabilidade social, a evasão escolar e a falta de perspectivas.

Especialistas apontam que, sem políticas públicas integradas, como educação em tempo integral, fortalecimento da rede de proteção social, apoio às famílias e ações preventivas nos bairros mais vulneráveis, a tendência é de agravamento do problema.

O avanço da violência envolvendo adolescentes não impacta apenas a segurança pública, mas também a estrutura social das cidades. Jovens que deveriam estar em ambientes de formação acabam inseridos em contextos de criminalidade, ampliando o ciclo de violência e dificultando ações de ressocialização.

As forças de segurança afirmam que seguem atuando de forma repressiva e investigativa, mas reforçam que o enfrentamento do problema exige respostas que vão além da polícia, com participação efetiva do poder público e da sociedade.

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