O governo dos Estados Unidos oficializou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) nesta quarta-feira, 15 de julho, após investigação que durou cerca de um ano.
Segundo o órgão americano, a apuração concluiu que políticas adotadas pelo Brasil criam barreiras comerciais e prejudicam trabalhadores, empresas e exportadores dos Estados Unidos.
A medida foi fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo da legislação americana que permite a adoção de sanções comerciais contra países acusados de práticas consideradas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio norte-americano.
Entre os pontos apontados pelo USTR estão políticas relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico. Embora o PIX não seja citado nominalmente no documento oficial, o tema integra o conjunto de medidas criticadas pelo governo americano nos últimos meses.
A investigação também mencionou outras áreas consideradas problemáticas por Washington, como tarifas preferenciais classificadas como injustas, aplicação das leis anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol e desmatamento ilegal.
Na avaliação do governo dos Estados Unidos, essas práticas criariam condições desfavoráveis para empresas e produtores americanos que tentam atuar no mercado brasileiro.
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a decisão está alinhada à política econômica America First, defendida pelo presidente Donald Trump.
Segundo Greer, empresas de tecnologia dos Estados Unidos estariam sendo prejudicadas por medidas adotadas pelo Brasil, enquanto produtores rurais americanos enfrentariam concorrência considerada desleal.
O USTR informou que, durante a investigação, foram realizadas consultas formais com representantes brasileiros, audiências públicas e análise de mais de 360 manifestações enviadas por empresas, entidades e cidadãos.
Nos dias 6 e 7 de julho, o órgão também ouviu 77 testemunhas antes de concluir pela adoção das tarifas adicionais.
Apesar da aplicação da nova tarifa, o governo americano afirmou que continua disposto a manter diálogo com o Brasil.
A decisão deve ampliar a tensão comercial entre os dois países e pode afetar setores exportadores brasileiros alcançados pela medida.





