Fazendeiro teria ameaçado expor desembargador com imagens comprometedoras, diz delegado da PF

Foto: Reprodução

O produtor rural Aníbal Manoel Laurindo teria ameaçado divulgar imagens comprometedoras envolvendo o desembargador afastado Sebastião de Moraes Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

A informação foi apresentada pelo delegado da Polícia Federal Marco Bontempo durante depoimento no Tribunal do Júri que julga três acusados de participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri.

Segundo o delegado, a suposta ameaça foi identificada durante a análise de mensagens encontradas no celular do advogado.

Bontempo relatou que o próprio desembargador teria alertado Zampieri de que Aníbal possuía as imagens e ameaçava divulgá-las.

Posteriormente, Sebastião de Moraes declarou-se suspeito e deixou de atuar em um processo relacionado à disputa pela Fazenda Lagoa Azul, localizada em Paranatinga.

Conforme a investigação, Zampieri questionou o afastamento do magistrado.

As informações fazem parte do depoimento do delegado e não representam uma conclusão judicial definitiva sobre a existência ou o conteúdo das supostas imagens.

Mensagem enviada no dia do crime chamou atenção

Durante o depoimento, Marco Bontempo também mencionou uma mensagem enviada pelo desembargador ao advogado no dia em que Zampieri foi assassinado.

Segundo o delegado, o teor da mensagem causou estranheza e passou a integrar uma das hipóteses iniciais analisadas pelos investigadores.

Sebastião de Moraes foi posteriormente afastado do cargo no âmbito de investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais.

Essa apuração foi aberta a partir da análise dos dados extraídos do celular de Roberto Zampieri.

PF afirma que provas digitais reforçam investigação

Bontempo afirmou que realizou uma nova análise do inquérito conduzido inicialmente pela Polícia Civil e dos celulares apreendidos durante a investigação.

Segundo ele, não foram encontradas nulidades no procedimento e as conclusões da apuração inicial foram ratificadas.

O delegado disse que as provas digitais reforçariam a participação dos acusados no assassinato.

Entre os materiais encontrados estariam conversas entre o coronel reformado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa.

Conforme o depoimento, após a morte de Zampieri, Hedilerson teria enviado a Caçadini uma mensagem informando que a missão havia sido cumprida.

A investigação também atribui a Antônio Gomes da Silva a execução do crime. As defesas dos réus contestam as acusações e sustentam a inocência dos representados.

Disputa por fazenda seria motivação

Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo são apontados pela acusação como supostos mandantes da morte do advogado e respondem em processo separado.

A motivação estaria relacionada a uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.

O delegado informou ainda que foi identificado um depósito de R$ 60 mil atribuído ao coronel Caçadini em favor de Aníbal.

Na linha investigativa da Polícia Federal, o pagamento poderia ter relação com a execução do advogado. A origem e a finalidade do dinheiro ainda são discutidas no processo.

Investigação apura suposto grupo de extermínio

A morte de Zampieri também levou a Polícia Federal a investigar a possível existência de um grupo chamado Comando C4, sigla atribuída à expressão “Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos”.

Segundo Bontempo, o grupo seria suspeito de atuar com espionagem e homicídios sob encomenda.

O coronel Caçadini é apontado pela investigação como possível líder da organização.

Todas essas suspeitas serão submetidas à análise da Justiça. Até uma decisão definitiva, os investigados e réus devem ser tratados como acusados.

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