O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Mauro Mendes, do União Brasil, afirmou ser inocente e negou irregularidades relacionadas ao acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo do Estado e a operadora Oi.
A manifestação foi divulgada em vídeo nesta quinta-feira (6), após a deflagração da Operação Heritage pela Polícia Federal.
Mauro também classificou a investigação como uma tentativa de perseguição política e acusou adversários de utilizarem o caso para prejudicar sua candidatura nas eleições de 2026.
As acusações feitas pelo ex-governador contra os adversários representam sua versão dos fatos e não foram comprovadas até o momento.
Passaporte foi recolhido
Segundo Mauro Mendes, os agentes da Polícia Federal estiveram em sua residência para cumprir uma determinação de recolhimento do passaporte.
O candidato afirmou que não tem nada a esconder e que pretende colaborar com a investigação.
Mauro comparou o episódio a uma operação realizada em 2014, quando ainda era prefeito de Cuiabá. Ele declarou que aquela investigação causou prejuízos pessoais, financeiros e empresariais, mas acabou arquivada anos depois.
Ao comentar o caso atual, pediu que a apuração seja concluída rapidamente para evitar consequências semelhantes.
Mauro defende legalidade do acordo
O ex-governador afirmou que a disputa entre Mato Grosso e a Oi teve início em 2009, após o Estado bloquear recursos da empresa para a cobrança de tributos.
Segundo a versão apresentada por Mauro, decisões judiciais posteriores reconheceram o direito da operadora à devolução dos valores.
Ele declarou que o débito atualizado poderia chegar a aproximadamente R$ 580 milhões, mas que a Procuradoria-Geral do Estado negociou um acordo de R$ 308 milhões para encerrar o litígio.
Mauro sustentou que o termo de autocomposição passou pela análise de procuradores, foi homologado pela Justiça e considerado legal e vantajoso por órgãos de controle.
Essas afirmações fazem parte da defesa apresentada pelo candidato. A Operação Heritage apura justamente as circunstâncias da negociação e o destino dos recursos.
Candidato nega ligação com fundos
Mauro Mendes também negou que ele ou seus familiares tenham qualquer relação com os fundos de investimento que receberam parte do dinheiro do acordo.
O ex-governador afirmou que não participou da escolha dos destinatários dos recursos e que o pagamento seguiu os procedimentos estabelecidos na negociação.
A Polícia Federal investiga a possível passagem dos valores por fundos e empresas e busca esclarecer se houve desvio de dinheiro público, ocultação patrimonial ou outras irregularidades.
A abertura da investigação e a aplicação de medidas cautelares não significam condenação dos envolvidos.
Mauro acusa adversários políticos
Durante o pronunciamento, Mauro atribuiu a origem da investigação a denúncias apresentadas pelo ex-governador Pedro Taques e pela deputada estadual Janaína Riva.
Ele afirmou que o relatório policial reproduziria informações apresentadas pelos adversários e alegou que a operação possui motivação eleitoral.
Mauro também citou os senadores Carlos Fávaro e Jayme Campos. Segundo ele, integrantes desse grupo já comentavam sobre a operação antes de seu cumprimento.
O candidato questionou ainda o fato de o processo tramitar sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, enquanto informações sobre o conteúdo da apuração já circulavam publicamente.
Não foram apresentados, na declaração divulgada, elementos que comprovem que os adversários tenham interferido na atuação da Polícia Federal ou do Poder Judiciário.
Investigação continua
Ao encerrar o pronunciamento, Mauro Mendes afirmou que continuará à disposição das autoridades e que confia na comprovação da legalidade dos atos realizados durante sua gestão.
A Operação Heritage segue em andamento e as responsabilidades individuais ainda dependerão da conclusão das investigações, da manifestação do Ministério Público e de eventuais decisões judiciais.
Os citados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.






