Os bancos brasileiros estão mais cautelosos na concessão de empréstimos e financiamentos diante do aumento da inadimplência e do elevado nível de endividamento das famílias. O cenário tem levado as instituições financeiras a adotarem critérios mais restritivos para liberar novos recursos aos consumidores.
Dados do Banco Central mostram que a oferta de crédito já foi considerada restritiva pelas instituições financeiras no primeiro trimestre de 2026, com expectativa de condições ainda mais apertadas nos meses seguintes.
Entre os principais fatores que ajudam a explicar o movimento estão o comprometimento elevado da renda das famílias, o aumento dos atrasos nos pagamentos e a percepção de maior risco nas operações.
A inadimplência também ganhou peso nas decisões dos bancos. Segundo o Banco Central, o índice de atrasos superiores a 90 dias no crédito destinado às famílias alcançou 5,2% no início deste ano.
No crédito com recursos livres, que inclui diferentes modalidades contratadas por consumidores sem destinação específica definida pelo governo, os índices são ainda maiores.
Mais de 83 milhões de brasileiros inadimplentes
O cenário também aparece nos levantamentos da Serasa. Em abril, o país chegou a 83,3 milhões de consumidores inadimplentes, número equivalente a mais da metade da população adulta brasileira.
Naquele mês, os brasileiros acumulavam cerca de 342 milhões de dívidas negativadas, que somavam mais de R$ 568 bilhões.
Em maio, houve desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência, mas a situação permaneceu em patamar elevado. Foram contabilizadas aproximadamente 344 milhões de dívidas negativadas, com valor superior a R$ 574 bilhões.
O valor médio devido por consumidor chegou a R$ 6,8 mil.
Bancos e instituições financeiras continuam entre os principais responsáveis pelos débitos registrados pelos consumidores.
Renda das famílias está comprometida
Além da inadimplência, o elevado comprometimento da renda preocupa o sistema financeiro.
Dados do Banco Central indicam que o endividamento das famílias encerrou 2025 próximo de 50% da renda acumulada em 12 meses. Já o comprometimento mensal da renda com o pagamento de dívidas ficou próximo de 30%.
Na prática, quanto maior a parcela da renda destinada ao pagamento de empréstimos, financiamentos e outras obrigações financeiras, menor tende a ser a capacidade do consumidor de assumir novas parcelas.
Esse cenário aumenta a percepção de risco e pode levar as instituições a serem mais seletivas na análise de novos pedidos de crédito.
Crédito deve permanecer mais restritivo
O Banco Central apontou ainda que a inadimplência e o risco ficaram acima das expectativas das instituições financeiras no primeiro trimestre deste ano.
A expectativa é de que as condições para concessão permaneçam restritivas, principalmente para as famílias, diante do comprometimento de renda e do nível de inadimplência.
O cenário também é influenciado pelo custo elevado do crédito. Juros altos encarecem parcelas e aumentam o peso das dívidas no orçamento, especialmente em modalidades sem garantia.
Com isso, consumidores com renda já comprometida ou histórico recente de atrasos podem enfrentar maior dificuldade para obter novos financiamentos.
O movimento representa uma tentativa das instituições financeiras de controlar riscos e evitar aumento das perdas em um momento no qual milhões de brasileiros ainda encontram dificuldades para manter as contas em dia.






