Inquérito aponta que ex-suplente ajudou executor a fugir após assassinato de jovem em Poxoréu

Foto: Reprodução

O inquérito da Polícia Civil que apura o assassinato de Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho, de 20 anos, aponta que Túlio César (Republicanos) teria participado do planejamento e dado apoio à fuga do homem que executou a jovem dentro de uma casa noturna em Poxoréu.

Segundo a investigação, Túlio teria ficado de prontidão antes mesmo do crime e utilizado um Hyundai HB20S para resgatar o executor após o assassinato, ocorrido na madrugada de 10 de maio. Ele foi indiciado por homicídio qualificado e organização criminosa.

Túlio, que era suplente e chegou posteriormente a assumir temporariamente uma cadeira na Câmara Municipal de Poxoréu, nega participação no homicídio.

Mensagens no celular indicaram atuação antes do crime

Parte importante das provas reunidas pelos investigadores foi encontrada no celular apreendido com Túlio.

Conforme o relatório policial, ele apareceria nas conversas com o codinome “Dominador” e mantinha contato com um interlocutor chamado “Infinity”, que a investigação atribui a A.R.S., conhecido como “D40” e apontado como liderança do Comando Vermelho em Poxoréu.

Segundo o inquérito, ainda na noite de 9 de maio, horas antes do assassinato, Túlio teria recebido uma orientação para permanecer disponível para buscar um integrante do grupo.

O interlocutor teria informado ainda que esse homem atacaria uma mulher. Posteriormente, mensagens teriam atualizado Túlio sobre a movimentação de Lavínia e informado que ela seguiria para uma casa noturna.

Por volta da 1h38 do dia 10 de maio, Túlio teria questionado onde deveria aguardar e recebido a orientação para permanecer próximo a uma escola. Ele também teria perguntado qual motocicleta estava sendo usada pelo executor.

Pouco depois do assassinato, por volta das 2h02, as mensagens indicariam uma orientação para eliminar possíveis vestígios digitais, com formatação do celular, exclusão do WhatsApp e troca do número telefônico.

Executor teria abandonado moto e entrado em HB20S

A Polícia Civil reconstruiu parte da rota utilizada pelo autor dos disparos.

Após matar Lavínia, o homem teria fugido inicialmente em uma Honda XRE 300 preta, que posteriormente foi abandonada em uma região conhecida como “lixão”, em Poxoréu.

A partir desse ponto, de acordo com a investigação, o executor teria entrado em um Hyundai HB20S, que teria sido conduzido por Túlio. O veículo teria sido utilizado na segunda etapa da fuga para retirar o atirador da região.

O autor material dos disparos ainda não havia sido identificado até a conclusão dessa etapa do inquérito. A Polícia Civil abriu uma investigação suplementar para tentar localizá-lo e esclarecer a participação de outros envolvidos.

Ordem teria partido de dentro de penitenciária

O inquérito atribui o comando da execução a “D40”, apontado como uma liderança do Comando Vermelho na região.

Segundo a investigação, ele estava preso na Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, em Rondonópolis, mas ainda assim teria conseguido coordenar integrantes da organização que estavam em liberdade.

A polícia sustenta que o investigado acompanhou a movimentação de Lavínia, acionou integrantes responsáveis pela logística, indicou o ponto onde o atirador deveria ser resgatado e orientou a exclusão das mensagens após o crime.

A investigação aponta uma divisão de tarefas entre os envolvidos, abrangendo monitoramento da vítima, comunicação sobre seus deslocamentos, execução e apoio à fuga do atirador.

Informações repassadas à polícia teriam motivado execução

A principal linha investigativa aponta que Lavínia teria se tornado alvo da facção porque supostamente repassava informações às forças de segurança.

Segundo o inquérito, as informações envolviam pontos de venda de drogas, integrantes de grupos criminosos, veículos e endereços relacionados à atuação da facção em Poxoréu.

Para a Polícia Civil, a morte teria sido ordenada não apenas como represália contra a jovem, mas também com a intenção de intimidar outras pessoas que eventualmente colaborassem com as forças de segurança.

Essa é a conclusão apresentada pela investigação policial e deverá ser submetida à análise do Ministério Público e da Justiça.

Jovem foi atingida por pelo menos quatro tiros

Lavínia foi assassinada na madrugada de 10 de maio, quando estava em uma casa noturna às margens da MT-130, em Poxoréu.

Segundo a perícia, foram realizados pelo menos cinco disparos. Ao menos quatro atingiram a jovem em regiões consideradas vitais. Um dos tiros teria sido efetuado a curta distância contra o rosto. A investigação aponta ainda que o criminoso continuou disparando depois que a vítima já havia caído.

O executor fugiu logo após o crime.

Túlio foi indiciado e está preso preventivamente

Túlio César foi indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além de organização criminosa.

Ele havia sido preso temporariamente em 14 de julho, durante a Operação Elo Oculto. Em agosto, no avanço das investigações, foi novamente alvo da Polícia Civil durante a Operação Véu de Ísis, desta vez com mandado de prisão preventiva.

Antes disso, em 3 de junho, policiais já haviam cumprido mandado de busca e apreensão na residência do investigado.

Túlio nega ter participado do assassinato. Em manifestação anterior, declarou não ter qualquer participação no fato investigado pelas autoridades.

A investigação prossegue para identificar o executor dos disparos e determinar individualmente a responsabilidade de todos que eventualmente tenham participado do planejamento, monitoramento, execução e fuga após a morte de Lavínia.

Compartilhe :

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *