A modelo e influenciadora digital Natiele Aparecida, de Sorriso, está entre os principais alvos da Operação Engodo Digital, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (18). A investigação apura um grupo suspeito de movimentar mais de R$ 28 milhões por meio de plataformas de apostas não autorizadas entre 2023 e 2025.
A Polícia Civil também investiga uma possível conexão financeira entre alvos da operação e outra investigação federal que teve entre os investigados os cantores MC Poze do Rodo e MC Ryan SP. Até o momento, porém, não foi apontada ligação direta entre os artistas e Natiele.
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop e mira 10 pessoas físicas e oito empresas.
Justiça manda bloquear mais de R$ 21 milhões
Ao todo, foram expedidas 56 ordens judiciais.
Entre as medidas estão 14 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais, sequestro de bens, quebra de sigilo telemático, bloqueio de contas em redes sociais, apreensão de passaportes e outras medidas cautelares.
A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados.
As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias — Polo Sinop.
Em Mato Grosso, as diligências estão concentradas em Sorriso. A operação também alcança dois endereços na cidade de São Paulo e uma empresa em São Bernardo do Campo.
Influenciadora teria papel central na divulgação
Segundo a investigação, Natiele teria ocupado posição central na divulgação das plataformas de apostas investigadas.
A influenciadora, que possui mais de 115 mil seguidores em uma das redes sociais, utilizaria duas contas para promover plataformas de jogos sem autorização.
A polícia afirma ainda que ela mantinha, ao lado de outra investigada, um grupo no WhatsApp utilizado para compartilhar links e orientações relacionadas às apostas.
A partir dessas plataformas e das movimentações financeiras relacionadas ao grupo, os investigadores começaram a reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro.
Movimentação ultrapassou R$ 28 milhões
Dados financeiros analisados pela Polícia Civil apontaram movimentações superiores a R$ 28 milhões entre 2023 e 2025.
Conforme a Draco, as informações foram obtidas a partir de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Receita Federal e outros órgãos.
Os investigadores apontam que os recursos não teriam sido devidamente declarados e apresentam indícios de ligação com a exploração de jogos ilegais pela internet.
O valor de R$ 28 milhões corresponde à movimentação financeira identificada no período, e não necessariamente ao patrimônio da influenciadora ou a dinheiro comprovadamente obtido por ela individualmente.
Dinheiro teria passado por empresas e familiares
A investigação aponta que os recursos teriam circulado inicialmente por contas de empresas vinculadas a plataformas de apostas e meios de pagamento.
Depois, parte dos valores seria redistribuída para familiares e colaboradores ligados à influenciadora.
Entre as empresas citadas no inquérito estão Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.
Ao todo, oito pessoas jurídicas aparecem entre os alvos da investigação.
A Polícia Civil também apura a criação de empresas e possíveis estruturas societárias utilizadas para conferir aparência de legalidade aos recursos.
Segundo o delegado responsável, algumas das empresas analisadas teriam características de fachada. Outras funcionariam normalmente, mas teriam recebido valores cuja origem está sendo investigada.
Polícia apura ligação com operação que atingiu Poze e Ryan
Outro braço da investigação busca esclarecer uma possível conexão entre dois alvos da Engodo Digital em São Paulo e a Operação Narco Fluxo, realizada pela Polícia Federal em abril.
A investigação federal teve entre os alvos MC Poze do Rodo e MC Ryan SP, além de outros influenciadores e empresários.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil de Mato Grosso, uma empresa do setor financeiro investigada na operação federal também aparece entre os alvos da ação desta terça-feira.
Essa empresa teria atuado na concentração de recursos provenientes de plataformas clandestinas de apostas e em movimentações financeiras posteriores.
A mesma pessoa jurídica e seu proprietário foram alvo de mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e valores e recolhimento de passaporte na Operação Engodo Digital.
Até o momento, não há informação de uma relação direta entre Natiele Aparecida, MC Poze do Rodo e MC Ryan SP. A conexão investigada envolve alvos, empresas e operadores financeiros alcançados pelas duas operações.
Cinco tipos de crime são investigados
Natiele e os demais alvos são investigados por suspeitas de exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.
A Polícia Civil afirma ter identificado um grupo estruturado e com possível divisão de funções para execução das atividades investigadas.
Os celulares, computadores, documentos e demais materiais recolhidos durante a operação serão analisados para aprofundar o rastreamento financeiro e individualizar a eventual participação de cada investigado.
As suspeitas ainda estão em fase de investigação e não representam condenação dos envolvidos.







